Jaime Faria aprende a vencer o tempo e o jogo no Indoor Oeiras Open 2

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis 

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

Jaime Faria manda em casa.
O poderio do Canhão do Jamor em casa.

Primeiros quartos de final de 2026

Há vitórias que não se medem apenas em encontros ganhos ou rondas ultrapassadas. Medem-se na forma como um jogador controla o espaço, o tempo e as próprias expectativas. Foi isso que Jaime Faria fez esta quinta-feira no Indoor Oeiras Open 2, ao garantir, pela primeira vez, em 2026, um lugar nos quartos de final de um torneio ATP Challenger.

O número dois nacional, 151.º do ranking mundial, confirmou o estatuto de quarto cabeça de série ao vencer o alemão Diego Dedura (332.º), oriundo da fase de qualificação, por 6-3 e 7-5, num encontro resolvido em 90 minutos na nave de campos cobertos do Complexo de Ténis do Jamor. Um palco que lhe é familiar não apenas por competir, mas também por ali treinar diariamente no Centro de Alto Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis.

Entrada a mandar

Desde o primeiro ponto, ficou claro quem pretendia impor a narrativa do encontro. O Canhão do Jamor entrou com autoridade, intensidade e uma leitura precisa do adversário. Em poucos minutos, construiu uma vantagem de 3-0, apoiada em dois breaks consecutivos, fruto de uma combinação eficaz entre profundidade de bola, agressividade controlada e um serviço que começou cedo a marcar diferenças.

Apesar de ter cedido o serviço, em duas ocasiões ainda no primeiro set, o lisboeta nunca pareceu verdadeiramente em risco. A margem criada cedo trouxe-lhe serenidade para atravessar fases menos sólidas e encerrar o parcial sem sobressaltos.

Segundo set, outro filme

Se o primeiro parcial foi dominado pela iniciativa de Faria, o segundo apresentou um desafio diferente. Mais equilibrado, mais físico e mais exigente do ponto de vista mental. O jovem alemão subiu o nível, arriscou mais nas devoluções e chegou a liderar por 4-2, explorando a quebra momentânea de intensidade de Faria.

Foi aí que emergiu a maturidade competitiva do português. Sem precipitação, ajustou a profundidade dos golpes, reforçou a eficácia do primeiro serviço e assumiu o controlo dos pontos mais longos. Os sete ases disparados ao longo do encontro — vários deles em momentos de pressão — foram reflexo de uma arma bem afinada e utilizada com inteligência.

Leitura e paciência

Taticamente, o português teve o encontro bem estudado. Soube contornar com frequência a direita cruzada de Dedura, apostou na consistência da sua esquerda a duas mãos e revelou paciência quando o adversário tentava assumir riscos excessivos.

Dedura procurou assumir a iniciativa desde os primeiros pontos. A precipitação nos momentos de aceleração saiu cara ao alemão. Sem grande velocidade de deslocação nem peso de bola, foi empurrado para decisões forçadas e para terreno fértil para os erros que o lisboeta soube provocar.

Este apuramento tem um significado especial. É a décima primeira vez que atinge os quartos de final de um torneio do ATP Challenger Tour, depois de, em 2025, ter alcançado dois quartos de final em provas do ATP Tour, patamar superior do circuito.

Em solo nacional, é a sexta presença nesta fase, a segunda no Indoor Oeiras Open, após a edição inaugural de 2024. Mais relevante ainda: são os primeiros quartos de final desde agosto e os primeiros em Portugal desde as meias-finais do Eupago Porto Open de 2024 — um dado que reforça a sensação de retoma competitiva.

Num torneio marcado por várias surpresas, Faria é o único cabeça de série ainda em prova a atingir o antepenúltimo dia de competição. Dado que, longe de ser apenas estatístico, sublinha a consistência demonstrada ao longo da semana e a capacidade de lidar com a pressão adicional que acompanha esse estatuto.

Jogar em casa tem as suas vantagens, mas também exige um controlo emocional constante. Até aqui, tem conseguido transformar essa proximidade em energia positiva, sem se deixar consumir pelas expectativas externas.

Esta sexta-feira, o desafio sobe de grau. O quarto favorito terá pela frente Alexis Galarneau (214.º ATP), jogador experiente no circuito Challenger e duplo semifinalista do Indoor Oeiras Open em 2025.

Galarneau garantiu a vaga nos quartos de final após um exigente duelo de 2h25 frente ao dinamarquês August Holmgren (193.º), campeão do Eupago Porto Open — precisamente o torneio em que Faria chegou às meias-finais na época passada. O canadiano venceu por 6-4, 4-6 e 7-5, num encontro em que chegou a desperdiçar uma vantagem de 4-2 no segundo set, mas mostrou resiliência nos momentos decisivos.

O palco está montado

Com estilos contrastantes, experiência acumulada e objetivos bem definidos, o encontro promete intensidade e detalhe. Para Faria, será mais do que um jogo: será um teste à solidez construída ao longo da semana e uma oportunidade de dar mais um passo firme rumo a uma época que quer de afirmação.

No Jamor, onde treina, compete e cresce, o lisboeta continua a escrever a sua história ponto a ponto. Com paciência, ambição e uma ideia cada vez mais clara do lugar que quer ocupar no circuito.

👉 Acompanhe o Indoor Oeiras Open 2 e os quartos de final.

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