🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: ATP Tour
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
| Capital da Escócia de má memória para o algarvio Tiago Pereira. |
Glasgow não sorriu
O ATP Challenger 50 de Glasgow ficou
marcado por um silêncio desconfortável para as cores lusas. Em hardcourt
britânico, onde o frio parece entrar também no ritmo do jogo, Frederico
Ferreira Silva e Tiago Pereira despediram-se cedo, sem tempo para construir
histórias mais longas. Foi um torneio curto, duro e de memória pesada.
Para Kiko Silva, Glasgow representava
o primeiro passo competitivo da temporada. O caldense, 263.º do ranking mundial
e quinto cabeça de série, entrou em court com a expectativa natural de quem
procura continuidade, mas saiu cedo, forçado pelas circunstâncias.
O encontro frente ao alemão Marvin
Moeller, oriundo da qualificação, terminou abruptamente. Com o marcador em 6-3 e
1-0 a favor do adversário, após apenas 40 minutos, uma lesão abdominal obrigou Kiko
a desistir. Não houve margem para resistência nem para ajustes. O corpo
impôs-se à vontade competitiva.
O peso das estreias
Há estreias que se fazem com tempo e
outras que acabam antes de começar verdadeiramente. Para Silva, Glasgow ficou
como um ponto suspenso no calendário, mais ligado à recuperação do que à
competição. Num circuito exigente, a saúde dita o ritmo e lembra, sem
romantismo, os limites do esforço.
Para Pereira, o torneio escocês era o
segundo compromisso do ano. Aos 21 anos, o algarvio continua a percorrer um
caminho feito de aprendizagem, onde cada derrota pesa, mas também ensina. Na
capital escocesa, porém, o saldo foi duro: duas derrotas em dois quadros, sem
espaço para celebração.
No singular, Pereira, atual 264.º
mundial e sexto cabeça de série, defrontou Denis Yevseyev. Tal como num duelo
anterior, o cazaque revelou-se um obstáculo difícil de ultrapassar. O estatuto
de lucky loser não suavizou a sua presença em court, e o português acabou por
ceder por 4-6 e 2-6.
A derrota confirmou uma realidade
dura. No segundo torneio do ano, o jovem português continua à procura de
estabilidade competitiva e de resultados que acompanhem o seu crescimento
técnico.
Última tentativa em pares
O dia ainda não estava terminado para
o número cinco de Portugal. Horas depois, regressou ao court para disputar o quadro de pares, ao
lado do lituano Edas Butvilas. A esperança de prolongar a estadia em Glasgow
durou pouco.
Frente à dupla segunda favorita,
formada por Victor Cornea e Nino Serdarusic, Pereira e Butvilas foram afastados
com parciais de 1-6 e 6-7 (5/7). Houve maior equilíbrio no segundo set, mas
não o suficiente para mudar o desfecho.
O frio da realidade
Glasgow deixou números frios e
sensações ainda mais geladas. Para Pereira, o segundo torneio do ano
termina com duas derrotas e muitas notas mentais para o que se segue. Para o
jogador natural das Caldas da Rainha, ficam a urgência da recuperação e a
frustração de um início de temporada interrompido.
O circuito Challenger não oferece
tempo para lamentos prolongados. Cada semana traz um novo palco, uma nova
superfície e a possibilidade de reescrever o momento. Glasgow ficará na memória
como uma paragem difícil, mas também como parte inevitável do percurso.
No ténis, como na viagem, nem todos
os destinos são feitos para ficar. Alguns existem apenas para ensinar a partir.
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