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Francisco Cabral e Lucas Miedler dançam em Brisbane para abrir 2026

   🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: ATP Tour

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

Francisco Cabral começa ano com título.
Miedler e Cabral com o troféu na mão.

Portuense campeão em Brisbane

O ano de 2026 abriu-se com o mesmo compasso com que terminou 2025 para Francisco Cabral e Lucas Miedler. Em Brisbane, sob o sol australiano e num palco que já começa a reconhecer a sua regularidade, o português e o austríaco voltaram a erguer um troféu do circuito principal ATP. Ambos confirmaram que a parceria atravessa um momento de plena sintonia.

A conquista do ATP 250 de Brisbane, este domingo, foi mais do que a repetição de um desfecho recente. Foi a continuação lógica de um percurso construído com método, paciência e entendimento mútuo. Uma espécie de valsa competitiva, feita de passos seguros, ajustes constantes e confiança partilhada, agora executada no início de uma nova temporada.

Repetir para confirmar

Uma semana após terem encerrado 2025 com o título em Atenas, Cabral e Miedler chegaram à Austrália com pouco tempo de preparação, mas com ideias claras. O objetivo era simples: competir. O resultado acabou por ser mais ambicioso.

Na final, surgiram do outro lado da rede Lloyd Glasspool e Julian Cash, primeiros cabeças de série, números um e dois mundiais e campeões em título de Wimbledon. Um teste de alto nível, também com carga simbólica.Na temporada passada, os britânicos venceram os dois encontros disputados contra a dupla luso-austríaca.

Em Brisbane, o desfecho foi diferente.

Cabral e Miedler venceram por 6-3, 3-6 e 10-8, em 85 minutos de jogo, num encontro decidido nos detalhes e na capacidade de gerir os momentos mais tensos. O match tie-break foi jogado com frieza, leitura correta dos pontos e uma serenidade que só surge quando a confiança está bem instalada.

A maturidade do jogo

Ao longo da semana, a dupla mostrou um padrão consistente. Serviço sólido, boa ocupação da rede e uma comunicação permanente, visível em cada troca de olhares e em cada ajuste entre pontos. Nada foi improvisado, mas tudo fluiu com naturalidade.

Brisbane não foi um golpe de inspiração isolado. Foi a confirmação de um crescimento sustentado desde abril de 2025, quando Cabral e Miedler decidiram unir esforços. Desde então, passaram a discutir finais com regularidade e a responder nos momentos decisivos, um traço essencial no circuito de pares.

Este título foi o quarto no circuito principal ATP,desde o início da parceria, em apenas seis finais disputadas. Um registo que fala por si.

Rankings em ascensão

A semana australiana também trouxe reflexos imediatos nos rankings. Cabral e Miedler chegaram a Brisbane nas melhores classificações das respetivas carreiras e vão sair ainda mais acima.

 Cabral subirá ao 19.º lugar mundial, reforçando o estatuto de melhor português de sempre na variante de pares. Miedler ascenderá ao 23.º posto, consolidando igualmente o seu percurso no topo do circuito.

Para ambos, estes números não são um ponto de chegada. É uma fotografia do momento. O foco mantém-se na regularidade, na saúde física e na capacidade de prolongar esta dinâmica ao longo da exigente temporada.

Um aniversário especial

Para Francisco Cabral, o título ainda teve um sabor particular. O português completou 29 anos poucos dias antes da final e recebeu, em Brisbane, uma prenda difícil de igualar: mais um troféu ATP, o sexto da carreira.

Desde que se juntou a Miedler, Cabral venceu quatro títulos em pares, todos no circuito principal, confirmando a melhor fase da sua carreira. A experiência acumulada ao longo dos anos, combinada com uma abordagem cada vez mais clara ao jogo, tem permitido ao portuense competir com consistência perante as melhores duplas do mundo.

A Austrália serviu, assim, de cenário para um início de ano simbólico. Entre calor, deslocações longas e adaptação rápida aos pisos rápidos, Cabral encontrou ritmo e continuidade, como se o ano nunca tivesse realmente terminado.

Austrália como palco

Brisbane foi apenas a primeira paragem. Mas deixou sinais importantes. No calendário, surge como torneio de preparação para o Open da Austrália. No entanto, para Cabral e Miedler representou mais do que isso: um palco onde foi possível transformar continuidade em resultado.

A dança que começou em Atenas ganhou novos passos no hemisfério sul. Uma valsa competitiva, sem exageros, feita de equilíbrio e de leitura de jogo. Nada de espetacular, tudo eficaz.

Olhar em frente

O título não altera os planos definidos para a temporada. O circuito segue, exigente e implacável, com novos desafios a cada semana. Mas começar 2026 com um troféu, rankings máximos e confiança reforçada oferece uma base sólida para enfrentar o que vem .

Cabral e Miedler sabem que o circuito não espera. Mas também sabem que, quando o entendimento está afinado, é possível dançar ao ritmo certo, mesmo nos palcos mais exigentes.

Em Brisbane, a música foi deles. E o ano acaba de começar.

 

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