🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Teste duro na estreia do qualifying do Australian Open para Kika Jorge. |
Regresso a palcos maiores
O ténis constrói-se em ciclos. Para Francisca
Jorge, o acesso aos principais palcos do circuito internacional volta a
acontecer em Melbourne, onde regressa aos qualifyings do Australian Open após
um ano de ausência dessas fases nos torneios do Grand Slam.
Atual 211.ª do ‘ranking’ WTA, a mais
cotada portuguesa vai disputar a primeira ronda do qualifying frente à belga
Greet Minnen, 119.ª mundial, num encontro exigente logo à entrada. O reencontro
tem história recente e um peso simbólico para a jogadora vimaranense.
Adversária
conhecida
Francisca Jorge e Greet Minnen
cruzaram-se em abril da temporada passada, nas meias-finais do ITF W100 do
CETO. Nessa ocasião, a belga levou a melhor em dois ‘sets’ equilibrados, com
parciais de 6-4 e 6-4, num encontro decidido nos detalhes.
Minnen apresenta-se agora como 12.ª
cabeça de série do qualifying. Aos 28 anos, soma várias presenças em quadros
principais do circuito WTA e alcançou o 59.º lugar mundial em outubro de 2023.
Parte com favoritismo, mas conhece a resistência da portuguesa.
Ano ausente
Francisca disputou o qualifying dos quatro Grand Slams em 2024. Em 2025, não esteve presente nessas fases. A temporada foi dedicada ao circuito ITF, para consolidar o ranking e ganhar estabilidade competitiva.
Esse afastamento não representou um
recuo. Mas uma reorganização do percurso. O trabalho longe dos grandes palcos
permitiu-lhe ganhar regularidade, disputar mais encontros e fortalecer a base
do seu jogo.
Marca nacional
O ano de 2024 deixou uma marca
histórica. A vimaranense tornou-se apenas a oitava mulher portuguesa a competir
em torneios do Grand Slam e a sexta a fazê-lo no Australian Open. Um
feito que sublinha a raridade desse acesso no ténis feminino nacional.
Até hoje, apenas Deborah Fiúza, Michelle Larcher de Brito e Maria João Koehler conseguiram atingir o quadro principal em Melbourne. A presença nos qualifyings já representa, por si só, um patamar elevado.
Aos 24 anos, Kika apresenta um perfil competitivo mais completo. O serviço ganhou consistência, a
resposta tornou-se mais agressiva e a leitura dos momentos-chave evoluiu. A
experiência acumulada no circuito ITF trouxe-lhe maior controlo emocional.
O jogo tornou-se mais eficiente.
Menos dispersão, mais clareza nas decisões e maior capacidade de adaptação a
diferentes estilos de adversárias.
‘Ranking’ desafio
Fora do top 200, cada torneio
representa uma oportunidade concreta de progressão. Os qualifyings dos Grand
Slams oferecem pontos importantes, mas exigem eficácia imediata. Não há margem
para entradas lentas ou erros prolongados.
Melbourne exige resistência física, concentração e capacidade competitiva. Para a guerreira lusitana o regresso mede também o impacto do trabalho realizado longe dos holofotes.
O Australian Open impõe condições
particulares. O calor, a intensidade e a profundidade do quadro criam um
ambiente exigente desde o primeiro encontro. Cada ronda ultrapassada tem um
peso real no percurso de uma jogadora fora da elite.
Do outro lado estará uma adversária
mais cotada e experiente. Ainda assim, o ténis raramente se decide apenas pelo
‘ranking’. Decide-se também na capacidade de resistir, ajustar e acreditar nos
momentos críticos.
Passo sustentado
O regresso de Francisca aos
qualifyings do Australian Open simboliza continuidade. Não é um salto
ocasional, mas a consequência de um caminho estruturado e paciente.
Melbourne apresenta-se como ponto de
partida. O objetivo é claro: competir, crescer e permanecer. No ténis, a
persistência também constrói vitórias.


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