Avançar para o conteúdo principal

Amador derruba estrelas em Melbourne

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: ATP Tour

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

Amador australiano leva mais de meio milhão de euros.
Jordan Smith conquistou a 'loteria' do One Point Slam e arrebata uma quantia choruda.

Jordan Smith vence profissionais no One Point Slam do Open da Austrália e leva um milhão de dólares.

O Open da Austrália provou esta semana que o ténis pode ser imprevisível, divertido e democrático. Num evento ímpar, o professor de ténis Jordan Smith, de 29 anos, conquistou o One Point Slam, derrotando profissionais e amadores e levando mais de 550 mil euros para casa. Com a vitória, Smith tornou-se a sensação do pré-torneio e o protagonista inesperado da semana. O treinador de ténis que tem talento, coragem e concentração em momentos críticos pode criar histórias memoráveis.

Formato revolucionário

O One Point Slam é simples de explicar, mas extremamente exigente: cada duelo consiste num único ponto, com eliminatórias sucessivas até à final. Antes de cada ponto, uma partida de pedra, papel, tesoura decide quem serve ou responde, adicionando um elemento de sorte ao jogo. Apesar desta aleatoriedade, os pontos são intensos e decisivos. O formato permitiu que homens e mulheres, profissionais e amadores, se enfrentassem em igualdade, criando situações surpreendentes e equilibradas, e qualquer detalhe podia decidir o vencedor.

Desafio e equilíbrio

O evento contou com um cartaz impressionante: ex-campeões do Open da Austrália como Marat Safin e Naomi Osaka, estrelas do top 10 como Jannik Sinner e Carlos Alcaraz, e anónimos jogadores fora do top 100, incluindo comediantes, jockeys e campeões regionais. Mesmo com tantos nomes de peso, a imprevisibilidade do formato abriu espaço para surpresas. Entre falhas inesperadas de profissionais e pontos brilhantes de amadores, cada duelo se transformou numa batalha curta e intensa. Além disso, a iniciativa que no ténis, mesmo o pormenor, pode alterar todo o resultado.

Final democrática

Na final, Jordan Smith defrontou Joanna Garland, tenista do top 150 mundial. O duelo mostrou a essência do One Point Slam: imprevisível, intenso e justo. Garland havia eliminado figuras de renome como Alexander Zverev e Nick Kyrgios, mostrando que a experiência pesa, mas Smith manteve a calma e conquistou a vitória. Para o professor de Sidney, a final não foi apenas sobre o dinheiro. Tratou-se da consagração do talento, da estratégia e da coragem em plena Rod Laver Arena.

Premiação simbólica, recompensa real

O prémio era colocado numa caixa transparente contendo um milhão de dólares australianos em notas de brincar com o rosto de Craig Tiley, presidente da federação australiana de ténis. Apesar do humor do formato, o montante é real. Smith recebeu aproximadamente 570 mil euros, que planeia investir na compra de uma casa ou apartamento em Sydney. Mais do que o valor, o episódio sublinha o caráter lúdico e inovador do evento, mostrando que o Open da Austrália não se limita ao quadro principal, mas também aposta na diversão e na inclusão.

Leveza antes do Grand Slam

O One Point Slam realizou-se na semana que antecede o quadro principal, enquanto muitos profissionais ainda se preparam para a nova temporada. O evento trouxe leveza, humor e competitividade, em contraste com outros formatos recentes que agradaram menos ao público e aos especialistas.

Jordan Smith, de uma família de tenistas recreativos, provou que preparação, coragem e foco são essenciais para ter sucesso, mesmo diante do imprevisível.

Impacto e legado

A vitória de Smith ficará na memória do Open da Austrália como um exemplo de como a criatividade no ténis pode criar histórias virais, inclusivas e inspiradoras. Entre sorrisos, erros, surpresas e emoção, o One Point Slam reafirmou o apelido do torneio: “Happy Slam”. O evento provou que, no ténis, há sempre espaço para diversão, talento inesperado e a magia de um ponto único capaz de mudar tudo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

André Carreiras: precisão e disciplina nas mesas e na vida

🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados ⏱️  Tempo de leitura: 5  minutos André tem percurso exemplar nos estudos, conciliando com o desporto. Influência de Viana do Castelo e do mar André Carreiras, 20 anos, natural de Viana do Castelo, atleta de ténis de mesa, carrega consigo a harmonia que se encontra entre o mar e o vento da sua cidade natal. Desde cedo, a ligação com o oceano moldou o seu carácter e a sua forma de encarar desafios. O contacto diário com o mar transmitiu-lhe paciência, constância e resiliência. Essas qualidades mostraram-se essenciais tanto no desporto quanto nos estudos. “Viana do Castelo deu-me um certo equilíbrio entre humildade e ambição. É uma cidade calma, onde o trabalho conta mais do que o barulho. No ténis de mesa e nos estudos isso traduziu-se em disciplina e foco desde cedo”, sublinha.  Crescer junto ao oceano ajudou-o a compreender a importância da persistência. “O oceano ensina paciência, r...

Diogo Glória: “Não devemos tentar vencer o medo, mas usá-lo como alavanca”

  🖋️ Por:   António Vieira Pacheco 📸   Créditos:  Direitos Reservados/Federação Portuguesa de Badminton ⏱️  Tempo de leitura:  6   minutos Diogo Glória adora estar no recinto de jogo. O percurso até ao recinto Na véspera do Campeonato Nacional de Badminton absoluto, onde é um dos principais candidatos ao título,  Diogo Glória  recebeu o   Entrar no Mundo das Modalidades  para uma conversa sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Com somente 23 anos, o atleta natural de Peniche representa a equipa algarvia CHE Lagoense e concilia o desporto de alta competição com o curso de medicina. Entre raquetes, volantes e horas de treino — visíveis e invisíveis —, o jovem atleta partilha a sua visão sobre o jogo, a mente e os sonhos que o movem. Entrar no Mundo das Modalidades (EMM)   — Como o badminton entrou na sua vida — foi amor à primeira raquete ou uma paixão que cresceu com o tempo? Diogo ...

FPT continua em festa

Por Manuel Pérez Créditos: FPT. Futuro da Federação de sorriso dourado. A Federação Portuguesa de Ténis viu ser ontem saciada por maioria e talvez com um louvor à confiança, a AG virada para a apresentação, discussão e votação do Relatório e Contas de 2024. Juntaram-se todos os membros dos órgãos sociais, os vários delegados das 13 associações regionais, mais os dos treinadores e dos jogadores. Quiçá renascida das cinzas a dos árbitros, também, segundo informação local. Tudo indica que o novo CEO/secretário-geral tenha assistido ao concílio. Uma honraria histórica, tratando-se de um vice-recém-eleito-presidente do Comité Olímpico Português e logo na primeira AG em Ponta Delgada. Sem a habitual presença de jornalistas nas reuniões magnas, presumo que a parte que interessava a todos(as) era confirmar a subida de cotação dos ovos de ouro, depois de há ano o RC'2023 ser aprovado, graças a 1,6 milhões de euros de resultado líquido e 8,8 milhões de euros de situação líquida. Também a...