🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Três dias após ter sagrado campeã nacional pela nona vez, Kika está confirmada na Austrália. |
A melhor tenista portuguesa regressa ao palco dos Grand Slams
Três dias após voltar a erguer o
troféu de campeã nacional, pela nona vez, Francisca Jorge recebeu a confirmação
que já se desenhava no horizonte. O seu nome estava lá, inscrito na lista do
qualifying do Australian Open, sinal inequívoco de um regresso aguardado com
paciência, trabalho e resiliência. Melbourne volta a chamar por ela, e a melhor
tenista portuguesa da atualidade responde presente.
A vimaranense, atualmente na 213.ª
posição do ‘ranking’ WTA, será a única senhora lusa a competir no primeiro
Grand Slam da temporada. Um facto que, longe de pesar, sublinha a dimensão do
caminho que tem percorrido. Num circuito exigente e em permanente mutação,
Francisca mantém-se firme, construindo a sua carreira ponto a ponto, torneio a
torneio, como quem escreve um poema longo, sem pressa de chegar ao último
verso.
A entrada no qualifying surge com
naturalidade. Durante a última semana, a divulgação da lista provisória já
deixava antever o desfecho agora confirmado. Ainda assim, há sempre um momento
simbólico quando a notícia se torna oficial. É a validação de um percurso
recente sólido, marcado por regularidade competitiva e por uma presença
constante em fases decisivas de torneios internacionais.
Regresso confirmado
A posição que ocupa na lista de
inscritas é, aliás, confortável. Kika surge à frente de 21 jogadoras, um
detalhe que revela consistência e que pode fazer a diferença num qualifying
tradicionalmente imprevisível. Em Melbourne, cada jogo é um teste à resistência
física e mental, e começar alguns degraus acima pode significar mais do que uma
simples vantagem estatística.
Será a segunda vez que a portuguesa
participa no Australian Open, um torneio que guarda um significado especial na
sua carreira. Foi ali, em 2024, que se estreou em quadros de Grand Slam,
abrindo uma etapa nova no seu percurso profissional. Nesse ano, viveu uma
experiência rara no ténis português feminino contemporâneo: competiu nos quatro
torneios, Major, uma maratona exigente que a colocou frente a frente com o mais
alto nível do circuito mundial.
O desfecho foi semelhante em todas
essas ocasiões, com eliminações na primeira ronda do qualifying. Mas reduzir
essa caminhada a resultados seria injusto. Cada jogo representou aprendizagem,
adaptação e crescimento. Foram semanas de confronto com estilos diferentes,
superfícies desafiantes e ambientes únicos, onde se constrói a maturidade
competitiva que não se mede somente em vitórias.
Experiência maior
Agora, Kika Jorge regressa ao mesmo palco com
outra bagagem. Não somente de ténis, mas de experiência. O ‘ranking’ reflete
esse progresso, mas também como tem sabido gerir expectativas, pressão e
ambição. Aos 24 anos, apresenta-se como uma atleta consciente do seu lugar e do
caminho que ainda quer trilhar.
Tal como em 2024, será novamente a
única mulher portuguesa no chamado “Happy Slam”. Ainda assim, não estará
sozinha na representação nacional. Melbourne volta a reunir um pequeno núcleo
luso, feito de amizade, cumplicidade e memórias recentes. Jaime Faria e
Henrique Rocha acompanham-na pela segunda vez consecutiva no qualifying, ambos
com recordações positivas da edição anterior.
Há um ano, Jaime Faria protagonizou
um dos momentos mais marcantes do ténis português recente ao ultrapassar a fase
de qualificação e chegar à segunda ronda do quadro principal, onde chegou a
vencer um ‘set’ a Novak Djokovic. Henrique Rocha, por seu lado, ficou à porta
do quadro principal, alcançando a última ronda do qualifying e mostrando sinais
claros do seu potencial.
Melbourne chama
Este ano, o contingente português em
Melbourne completa-se com presenças já garantidas nos quadros principais. Nuno
Borges tem entrada direta no quadro de singulares, enquanto Francisco Cabral
assegura o seu lugar na competição de pares. Um retrato fiel da diversidade e
vitalidade atual do ténis nacional, que se estende muito para além de um único
nome.
Para Francisca Jorge, o Australian
Open representa mais do que um torneio. É um ponto de reencontro com um sonho
que nunca deixou de pulsar. Cada deslocação à Austrália exige sacrifícios
logísticos, adaptação ao fuso horário e uma gestão cuidada do corpo. Mas também
oferece algo raro: a sensação de pertença ao grande palco do ténis mundial
O qualifying será, como sempre, uma
batalha diária. Encontros curtos no calendário, adversárias famintas por
oportunidades e a necessidade de entrar forte desde o primeiro ponto. Mas é
nesse ambiente que a portuguesa se sente, cada vez mais, preparada para
competir. Sem promessas vazias, sem pressa excessiva, somente com a convicção
tranquila de quem sabe que o trabalho foi feito.
Melbourne volta a abrir-lhe as
portas. E Francisca entra, uma vez mais, com a serenidade de quem conhece o
caminho e com a ambição silenciosa de quem acredita que cada regresso pode ser
diferente.

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