🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: ATP Tour
⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos
| Zverev avisa Zverev que está na hora de vencer um Grand Slam. |
Tempo implacável
No ténis, o tempo não solicita
licença. Passa, cobra e obriga a diversas escolhas.
Foi com essa lucidez que Yevgeny Kafelnikov analisou o presente de Alexander
Zverev, em entrevista ao site CLAY.
Ex-número um do mundo, campeão de
Roland Garros em 1996 e do Australian Open em 1999, Kafelnikov fala com
autoridade. Fala também com a franqueza de quem conhece o preço dos Grand
Slams.
Zverev, atual número três do ‘ranking’ ATP,
soma finais, títulos relevantes e anos de regularidade. Falta-lhe, porém, o
troféu que define carreiras. O alemão tem 28 anos. Para Kafelnikov, ainda há
tempo. Mas o relógio já pesa.
Janela estreita
“Não faço ideia”, admitiu o
russo ao ser questionado sobre o que falta a Zverev para vencer um Major. A
resposta não veio envolta em diplomacia. Veio acompanhada de contexto e aviso.
Kafelnikov lembrou Thomas Muster, que
venceu Roland Garros aos 28 anos. Um exemplo possível, mas excecional. O ténis
atual não permite muitas segundas oportunidades.
Hoje, o circuito vive sob o domínio
de Carlos Alcaraz e Jannik Sinner. Dois nomes que, segundo o russo, controlam o
jogo com intensidade constante. Contra eles, não basta competir. É preciso
transformar-se.
Nova realidade
Para Kafelnikov, evoluir nesta fase
da carreira é um desafio profundo. Exige sacrifício físico, técnico e mental.
Exige mudanças que ultrapassam o court.
Não se trata de pequenos ajustes no
serviço ou na direita. Trata-se de alterar métodos de treino, rotinas diárias e
prioridades pessoais. Trata-se de aceitar o desconforto como parte do caminho.
Exemplo próximo
O russo traçou um paralelo direto com
Daniil Medvedev. Campeão do US Open em 2021 e antigo número um do mundo, Medvedev
enfrenta dilemas semelhantes.
Segundo Kafelnikov, sem algo de fundamentalmente diferente, o cenário repete-se. Talento não falta. Faltam rutura e risco. Falta entrega absoluta ao processo de mudança.
Compromisso total
A questão central, para Kafelnikov, é
simples e dura. Os jogadores estão dispostos a dedicar-se 24 horas, sete dias
por semana, à melhoria?
Muitos chegam a um ponto confortável.
Ganham bem. Mantêm-se no topo. Competem com regularidade. Mas já não vivem
obcecados pela evolução.
No ténis de elite, essa acomodação é
fatal. Não faz barulho. Mas afasta os troféus maiores.
Para Zverev, o aviso não é uma
sentença. É um espelho. O talento sempre esteve lá. A capacidade física também.
O que está em jogo é a coragem para
mudar quando alterar custa. Quando exige renúncia, disciplina extrema e foco
absoluto. Os Grand Slam não se ganham somente com golpes vencedores.
Ganham-se com escolhas silenciosas,
feitas longe das câmaras. Kafelnikov não fecha portas. Unicamente retira
ilusões. O caminho existe. Mas só para quem aceita pagar o preço total.
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