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A primeira chamada de Tiago Pereira para a Davis

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

Tiago Pereira é a maior novidade nos convocados para a Davis.
A primeira vez de Tiago Pereira na Taça Davis.
            Um nome novo

Há estreias que passam despercebidas à maioria dos portugueses e existem outras que ficam gravadas na memória antes mesmo de acontecerem. Tiago Pereira pertence à segunda categoria. 

Aos 21 anos, o nativo do Algarve entra pela primeira vez na convocatória da Seleção Nacional da Taça Davis.

Não como promessa vaga, mas como consequência lógica de um percurso em crescimento contínuo, silencioso e sustentado.

A eliminatória frente à China, marcada para 6 e 7 de fevereiro, longe de casa e em piso rápido, será o palco dessa primeira chamada. 

Não é um cenário confortável, nem foi desenhado para facilitar. Mas a Taça Davis nunca foi território de facilidades — é, acima de tudo, um lugar de afirmação.

O contexto

Portugal viaja como visitante no Grupo Mundial I, após a China ter vencido o sorteio que lhe conferiu o direito de escolher local e o piso. Jogar fora, em hardcourt, perante uma equipa com ambição e público a empurrar é um teste que mede mais do que rankings. Avalia maturidade competitiva, compromisso e capacidade de adaptação.

É neste contexto que o nome de Pereira surge ao lado de jogadores já estabelecidos. Não como gesto simbólico, mas como aposta consciente de Rui Machado, capitão nacional, que decidiu alargar o leque sem abdicar de competitividade.

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O estreante

Tiago Pereira chega à Seleção Nacional como 265.º do ranking mundial de singulares, mas os números contam apenas parte da história. Em pares, ocupa a 182.ª posição, soma 13 títulos e encerrou 2025 como campeão de pares do Maia Open, um ATP Challenger 100 — um feito que confirma solidez em contextos de maior exigência.

Os seus três títulos em singulares foram todos conquistados em piso rápido, o mesmo que encontrará na China. O mais recente, no ITF M25 da Figueira da Foz, coincidiu com uma das melhores fases da sua carreira, reforçada pelas meias-finais do Challenger de Pozoblanco. Não é coincidência: é progressão.

Sobre esta estreia, Rui Machado foi claro e direto:

“O Tiago Pereira tem evoluído bastante e, nos últimos meses, tem obtido bons resultados não só em singulares como em pares, fazendo dele uma opção para as duas variantes. É um excelente elemento para levar e vai ser um dos jogadores mais jovens da equipa. Não duvido que se vai integrar muito bem.”

Palavras que não são cortesia institucional, mas transmitem confiança construída no acompanhamento próximo da evolução do jogador.

Machado conhece bem o peso das escolhas. Sabe que cada convocatória é um equilíbrio entre confiança e risco. Ao incluir Tiago Pereira, não abdica da ambição; antes, amplia-a.

O capitão nacional não esconde as dificuldades do desafio que Portugal terá pela frente:

“Temos noção de que vai ser uma eliminatória bastante difícil frente a uma equipa com jogadores experientes, com bastante potencial e que já provaram conseguir jogar a um nível muito alto.”

Mas o discurso não se fica pela cautela. Há convicção no grupo escolhido e no compromisso que cada jogador assume quando veste as cores nacionais:

“Nós vamos com uma equipa com grande compromisso quando representa a Seleção Nacional, sabemos que jogar fora é sempre difícil.”

Machado fala como quem conhece o peso do contexto e, ao mesmo tempo, acredita no caráter coletivo.

A referência

Se há rosto maior desta Seleção, ele chama-se Nuno Borges. Atual 45.º do ranking mundial, antigo top-30, o maiato é presença constante desde 2021 e um dos pilares da equipa nacional. Já disputou oito eliminatórias, com utilização regular tanto em singulares como em pares.

O maiato é hoje sinónimo de fiabilidade. Não apenas pelos resultados, mas pela forma como assume responsabilidades, dentro e fora do campo. Na China, será novamente chamado a liderar — pelo exemplo, pela consistência e pela experiência acumulada em contextos de alta pressão.

A solidez

Nos pares, o nome que se impõe é Francisco Cabral. Aos 29 anos, o portuense viveu em 2025 o melhor momento da carreira, atingindo a 20ª posição mundial na especialidade. Três títulos ATP — Atenas, Hangzhou e Gstaad — confirmaram uma ascensão meteórica e sustentada.

Cabral já sabe o que é vestir as cores nacionais na Taça Davis desde 2022. Ao lado de Nuno Borges, conquistou o Estoril Open nesse mesmo ano, prova de que a química entre ambos não é ocasional. Na Taça Davis, soma oito encontros, com eficácia repartida, mas sempre com presença decisiva.

A juventude

A convocatória completa-se com Henrique Rocha e Jaime Faria, dois nomes que representam a nova vaga do ténis português. Rocha, atual 157.º ATP, estreou-se em 2024 e venceu os três encontros de singulares que disputou, incluindo um frente a Casper Ruud, então nono do mundo. Faria, 151.º, soma duas eliminatórias e continua a ganhar espaço num contexto altamente competitivo.

Ambos conhecem as exigências da Taça Davis. Ambos sabem que cada ponto vale mais do que um ponto.

O adversário

A China apresenta uma equipa equilibrada, com jogadores experientes e adaptados ao piso rápido. Yunchaokete Bu, atual 120.º mundial, lidera as opções em singulares, seguido por Yibing Wu e Yi Zhou. Em pares, Aoran Wang surge como principal referência.

Rui Machado admite que ainda desconhece as escolhas do selecionador chinês, Di Wu, mas mantém o foco na preparação portuguesa e no que pode ser controlado.

O desafio

Portugal não joga em casa desde setembro de 2022, frente ao Brasil. Desde então, tem aprendido a competir fora, com resultados mistos, mas também com provas de capacidade. A derrota frente ao Peru, em condições desfavoráveis, é uma dessas lições.

O capitão recorda esse momento, mas faz questão de sublinhar o outro lado da história:

“Na última experiência fora, perdemos frente ao Peru em condições que não eram favoráveis, mas também já mostrámos ser capazes de ganhar como visitantes.”

E aponta um exemplo concreto:

“Tivemos uma vitória em piso rápido na Áustria, em setembro de 2023, com a maior parte destes jogadores em prova.”

Há memória competitiva neste grupo. E isso conta. Rui Machado sente que a equipa chegará preparada:

“Sinto que a equipa vai ter oportunidade de chegar bastante em forma. Pelo que tenho tido oportunidade de falar com eles, estão a sentir-se bem.”

Esta eliminatória é mais do que um confronto entre Portugal e China. É um momento de transição, de afirmação e de continuidade. É a entrada de um novo nome na história da Taça Davis portuguesa. É a confirmação de outros. É o teste de uma geração que já não pede permissão para competir.

Para o tenista algarvio, será a primeira vez. Para a equipa, será mais uma oportunidade de provar que o ténis português sabe crescer sem perder identidade. Na Taça Davis, cada estreia é uma promessa. E cada promessa carrega futuro. 

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