🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: ATP Tour
⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos
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| O grito de João Fonseca. O brasileiro conseguirá entrar no top 10 mundial em 2026? |
O assalto de João Fonseca ao top 10
O ano de 2025 aproxima-se do fim com
a serenidade própria dos ciclos que se fecham e com a inquietação natural de
quem já olha para o que segue. No ténis, este é um tempo de balanço e de
afinação, de corpos em recuperação e mentes projetadas para o circuito da
Oceânia, que culminará, a partir de 18 de janeiro, no Open da Austrália. É ali,
no primeiro grande palco do ano, que muitos tentarão confirmar estatutos e
outros ousarão reclamar o seu lugar.
Certezas
firmes
Olhando para os próximos doze meses,
há nomes que se impõem com a força da evidência. No circuito ATP, Carlos
Alcaraz e Jannik Sinner continuam a ser o eixo em torno do qual gira o ténis
masculino. No WTA, Aryna Sabalenka e Iga Świątek mantêm-se como referências
absolutas, símbolos de regularidade, potência e ambição. São eles que partem
como favoritos, os que carregam o peso das expectativas e a natural obrigação
de vencer.
Mas o ténis vive tanto do presente
como da promessa. E, por detrás das certezas, cresce um conjunto de jovens
jogadores e jogadoras que procuram transformar talento em consistência,
potencial em resultados.
Sinais futuros
O Next Gen ATP Finals tem-se
afirmado, ao longo dos anos, como um barómetro fiável do que aí vem. Reúne os
oito melhores jovens da temporada e oferece um retrato interessante das
próximas forças do circuito. Em 2025, dois nomes destacaram-se no ‘ranking’
específico da prova: o checo Jakub Mensik e o brasileiro João Fonseca.
Mensik, campeão dos Masters 1000 de
Miami após derrotar Novak Djokovic na final, confirmou uma maturidade
competitiva pouco comum para a sua idade. Fonseca, vencedor dos torneios ATP de
Buenos Aires e Basileia, mostrou uma versatilidade que o torna particularmente
perigoso em diferentes superfícies.
Prioridades novas
Curiosamente, nenhum dos dois
participou na edição do Next Gen realizada em Jeddah, na Arábia Saudita. As
suas posições no ‘ranking’ ATP — 19.º e 24.º — colocam-nos já noutro patamar
competitivo, com calendários e prioridades muito distintos dos restantes
participantes. Em 2026, ambos surgem como fortes candidatos a dar um salto
definitivo e a disputar títulos regularmente.
Entre os que marcaram presença em Jeddah, Learner Tien e Alexander Blockx
chegaram à final.
Tien, atual 28.º do mundo, repetiu um
percurso já conhecido: tal como em 2024, voltou a atingir o jogo decisivo,
demonstrando uma notável capacidade de competir sob pressão. Ao longo do
caminho, deixou para trás nomes como Mensik, Arthur Fils e Alex Michelsen,
antes de cair na final frente a João Fonseca.
O seu ano de 2025 foi particularmente
sólido. O título em Metz e a presença na final de Pequim, onde somente Sinner o
travou, foram momentos altos de uma temporada em que também chegou aos oitavos
de final do Open da Austrália, eliminando Daniil Medvedev. Experiência,
confiança e ambição fazem dele um nome incontornável para 2026.
Crescimento gradual
Alexander Blockx surge num registo
diferente. Número 116 do ‘ranking’ mundial, o belga ainda constrói o seu
caminho com paciência. Em 2025, alternou entre torneios ATP e Challenger,
conquistando títulos em Oeiras 5 e Bratislava. O Top 100 é o grande objetivo,
após ter alcançado o 101.º lugar em novembro. O Next Gen foi, para ele, uma
afirmação de que o percurso está bem traçado.
Para lá dos mais mediáticos, há uma
constelação de jovens que merecem atenção. O croata Dino Prizmic, os espanhóis
Martín Landaluce e Rafael Jodar, o norueguês Nicolai Blaskova Kjaer e o
norte-americano Nishesh Basavareddy representam diferentes estilos e escolas,
mas partilham a mesma ambição. Arthur Fils e Alex Michelsen, ambos com 21 anos,
já somam maior experiência e pretendem dar um passo em frente em 2026.
Futuro
feminino
No circuito feminino, a renovação tem
sido ainda mais visível. Muitas jovens conseguiram títulos importantes nos
últimos anos, algumas encontraram estabilidade, outras sentiram o peso da
exigência precoce. Excluindo Coco Gauff, que aos 21 anos já é uma certeza
estabelecida, Mirra Andreeva destaca-se como o rosto maior da nova geração.
A russa, atualmente 9.ª do ‘ranking’,
tem somente 18 anos e um currículo que impressiona. Em 2025, venceu os WTA 1000
de Dubai e Indian Wells, dois triunfos que a colocaram entre as candidatas
naturais a conquistar um Grand Slam. Ainda assim, nos grandes torneios, a final
continua a ser uma barreira por ultrapassar.
Medalhista de prata em pares nos
Jogos Olímpicos de Paris 2024, Andreeva atravessou um final de temporada
irregular, com quatro vitórias e quatro derrotas desde agosto. Ao lado da sua
treinadora, Conchita Martínez, procurará reencontrar equilíbrio e transformar
expectativa em realidade.
Escola checa
A Chéquia continua a afirmar-se como
um viveiro de talento no ténis feminino. Linda Noskova, 13.ª do mundo, lidera
uma geração que inclui Tereza Valentova e Sara Bejlek, ambas já no Top 100.
Mais atrás surgem as irmãs Fruhvirtová, Linda e Brenda, como promessas que
continuam a amadurecer.
Victoria Mboko é outro nome a reter.
A canadiana, de 19 anos, viveu o ponto alto da sua jovem carreira ao vencer o
WTA 1000 de Montreal, somando ainda um título em Hong Kong. Dois troféus em
2025 colocam-na numa trajetória claramente ascendente.
A lista de jovens no Top 100
prolonga-se com Diana Shnaider, Maya Joint, Iva Jovic, Ashlyn Krueger,
Alexandra Eala, Solana Sierra, Petra Marčinko e Ella Seidel. Todas com menos de
22 anos, todas com margem de crescimento e com a possibilidade real de, em
2026, deixarem definitivamente o rótulo de promessa.
Horizonte aberto
O ténis entra em 2026 com a sensação de que o futuro já bate à porta. Entre campeões consolidados e jovens que aprendem a vencer, o próximo ano promete continuidade e rutura, tradição e atrevimento. Como sempre, será dentro do campo que as respostas surgirão — ponto a ponto, jogo a jogo, sonho a sonho.

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