🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Tennis Photograph
⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos
O tudo ou o nada!
Há regressos que não se medem em
vitórias, mas em perguntas. Karolina Pliskova, antiga número um do
mundo, sabe-o bem. Aos 33 anos, a checa encara o início da nova
temporada como um teste silencioso: ao corpo, à vontade e ao sentido de
continuar. Em entrevista ao portal checo Sport.cz, admitiu que 2026
poderá ser a sua última oportunidade no circuito profissional.
Desde setembro de 2024, Pliskova
praticamente desapareceu das competições. Uma grave torção no tornozelo,
sofrida no US Open frente a Jasmine Paolini, marcou o início de um longo e
penoso processo. Seguiram-se duas cirurgias — a primeira ainda nesse mês, a
segunda em maio de 2025 — e um regresso tímido às competições, com tentativas
em Portugal e na Turquia. Em três encontros disputados, venceu apenas um.
O regresso trouxe mais dúvidas do que
respostas.
Dúvida física
“Perguntava-me: valeu a pena?”, confessou Pliskova. “Cheguei a
pensar que não voltaria aos Grand Slams. Não era exclusivamente a perna — doíam-me as
costas, o braço, tudo. Questionava-me se fazia algum sentido continuar.”
As palavras revelam mais do que
desgaste físico. Revelam o peso mental de quem passou anos no topo e regressa a
um ponto onde até terminar um jogo se torna um objetivo. Durante algum tempo, a
própria Pliskova admitiu ter perdido a convicção de que o sacrifício
compensava.
Foi preciso parar. Dar espaço ao
corpo e à cabeça. Mudar rotinas, adaptar treinos, aceitar limites. E, pouco a
pouco, a perspectiva alterou-se.
“Disse a mim mesma que ainda queria
tentar no início do ano”, explicou.
A motivação passa também pela Austrália,
onde não competiu na última temporada.
“Provavelmente não voltarei lá depois de
terminar a carreira”, reconheceu, com a serenidade de quem já não se prende
a ilusões. Atualmente 1054.ª do ranking mundial, Pliskova tem no calendário os
torneios de Brisbane, Adelaide e o Australian Open, todos ao abrigo do ranking
protegido.
Expectativas baixas
A antiga finalista do US Open (2016)
e de Wimbledon (2021) assume que regressou “cedo demais” às competições em
2025. Ainda assim, bons treinos e algumas vitórias em contexto competitivo
frente a jogadoras como Ekaterina Alexandrova e Katerina Siniaková
devolveram-lhe alguma confiança.
Sem ilusões, nem pressão.
“Os meus objetivos são muito
modestos. Não serei favorita e não quero exigir demasiado de mim. Para já,
basta jogar sem dor e terminar os encontros”, explicou. “Quando se esteve no topo, é estranho
ter como meta ganhar apenas uma ronda. Mas sei que regressar após uma lesão
destas é muito difícil.”
O plano é claro: competir até fevereiro
e, depois, decidir. Continuar ou parar. Sem dramatismos, sem promessas
públicas. Se o corpo responder, avança. Se não, aceita o fim como parte natural
do percurso.
Fora do campo, a vida já encontrou
outro ritmo. A irmã gémea, Kristyna Pliskova, já se retirou. Karolina
admite que não lhe seria estranho seguir o mesmo caminho e dedicar-se à
família, assumindo-se, com humor, como “dona de casa”, enquanto cuida
dos dois filhos pequenos que tem com o futebolista checo David Hancko.
“Não quero preocupar-me com nada. Se
não estiver fisicamente bem, não faz sentido. Só quero jogar se puder fazê-lo
sem dor e com prazer”, concluiu.
Às vezes, continuar não é vencer. É
apenas escutar o corpo — e saber quando ele ainda tem algo para dizer.
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