🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Getty Images
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| A polaca sorridente quando confrontada com o Career Grand Slam. |
Em busca da glória
O ténis gosta de coincidências, mas
raramente permite alinhamentos perfeitos. Em 2026, porém, o calendário abre
espaço para um cenário singular: Carlos Alcaraz, número um do mundo, e Iga
Świątek, segunda classificada do ‘ranking’ feminino, chegam ao Australian
Open com a mesma ambição histórica. Ambos podem conquistar, no mesmo torneio, o
Career Grand Slam (vencer os quatro em épocas diferentes), um feito reservado a
muito poucos na Era Open.
O Australian Open, que arranca a 18
de janeiro, costuma ser o palco das primeiras respostas da temporada. É ali que
se medem ambições, que se testam limites físicos e mentais, e onde muitas
narrativas começam a ganhar forma. Para Alcaraz e Swiatek, Melbourne pode
representar mais do que um início: pode ser um ponto de chegada.
Alcaraz entra no ano com somente 22 anos e um currículo já extraordinário. Campeão em Wimbledon, Roland Garros e no US Open, falta-lhe somente o troféu australiano para fechar o círculo. Curiosamente, é também em Melbourne que o espanhol menos conseguiu impor o seu talento. Nunca ultrapassou os quartos de final, travado por adversários experientes, pelo calor intenso ou por jogos que lhe exigiram paciência quando o seu instinto solicitava aceleração.
Ainda assim, 2026 surge como uma
oportunidade clara. Alcaraz é hoje um jogador mais completo, capaz de gerir
ritmos, de aceitar trocas longas e de adaptar o seu jogo às exigências de cada
superfície. Se vencer o Australian Open, tornar-se-á o mais jovem tenista da
história a alcançar o Career Grand Slam e somente o sexto homem a consegui-lo
na Era Aberta.
No quadro feminino, Iga Świątek vive
um momento semelhante, embora com um percurso diferente. Aos 24 anos, a polaca
construiu uma carreira marcada pela consistência e pela clareza estratégica.
Dominadora em terra batida, eficaz em relva e já campeã em piso duro, falta-lhe
somente Melbourne para entrar num grupo restrito da história do ténis.
Swiatek já esteve perto. Em 2025,
atingiu as meias-finais do Australian Open, o seu melhor resultado no torneio.
Foi um sinal claro de evolução numa prova que, durante anos, resistiu ao seu
jogo. Em 2026, regressa com mais experiência, maior controlo emocional e a
consciência de que está a poucos encontros de se tornar a sétima senhora da Era Aberta a completar o Career Grand Slam.
Mesmo sonho
Há algo de especialmente simbólico na
possibilidade de Alcaraz e Swiatek atingirem esse feito em simultâneo. Ambos
representam uma nova fase do ténis mundial, menos dependente de figuras eternas
e mais aberta a novas narrativas. Não carregam apenas títulos; carregam
expectativas de renovação.
O Career Grand Slam não é exclusivamente uma
soma de vitórias. É uma prova de adaptação, de longevidade e de capacidade para
vencer em contextos distintos. Cada jogador que o alcançou precisou de
enfrentar superfícies adversas, fases menos brilhantes e a pressão constante da
história.
Se em 2026 confirmar este dueto improvável, o Australian Open ficará marcado como mais do que um torneio de abertura. Será o palco onde dois percursos distintos se cruzaram no mesmo ponto da eternidade. No ténis, isso acontece raramente. Quando acontece, deixa rasto.
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Career Grand Slam (Era Open) |
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Rod
Laver — US Open (1969) |
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