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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Tomás Mateus dá o primeiro golpe e veste a Amarela na Volta a Portugal de Juniores

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 27 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM   Tomás Mateus arrancou da melhor forma a 20.ª Volta a Portugal de Juniores. O corredor da Electromercantil GR-100 venceu esta quinta-feira a primeira etapa, em Penamacor, e assumiu desde logo a liderança da classificação geral. A etapa inaugural, disputada entre o Fundão e Penamacor, tinha 84,4 quilómetros e foi tudo menos tranquila. O ritmo elevado desde os primeiros quilómetros provocou sucessivas tentativas de fuga, mas nenhuma conseguiu ganhar consistência suficiente numa primeira fase. Ataques sem sucesso Logo aos nove quilómetros, Loek Hovers tentou surpreender, mas a movimentação foi rapidamente anulada. As tentativas continuaram durante os primeiros 20 quilómetros, até surgir aos 35 uma fuga com Markel Tulebras, Adrian Prieto, Rodrigo Abreu, Francisco Macedo e Alexandre Maniezzo. O quinteto chegou a ganhar algum espaço, mas acabou alcançado aos 47 quilómetros. Dimas fog...

Pedro Martins: O voo do volante entre as marés do Algarve

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Badminton

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

Pedro Martins, foi um grande campeão.
Pedro Martins, sete vezes campeão nacional e primeiro algarvio nos Jogos Olímpicos.

Na ponta sul de Portugal, onde o sol beija o mar com persistência, nasceu, há 35 anos, um atleta que ousou sonhar para além da espuma das ondas. O seu nome é Pedro Martins, filho do Parchal, Lagoa, e levantou o volante como quem ergue sonhos.

Ele escolheu um caminho improvável: o badminton, uma modalidade ainda à margem no cenário desportivo nacional. Tal como o vento que atravessa os pinhais de Lagoa, Pedro aprendeu cedo a mover-se em silêncio, firme e certeiro.

Tornou-se o primeiro atleta de Lagoa a participar nos Jogos Olímpicos, levando com orgulho as cores de Portugal ao mais alto palco do desporto. Além disso, consagrou-se campeão nacional de seniores por sete vezes.

Em 2020, no silêncio imposto pela pandemia, pousou a raqueta sem mágoa, com a serenidade de quem cumpriu todos os objetivos na modalidade.
Fica a memória do esforço, a amizade dos caminhos, e a certeza de que valeu a pena. Na despedida não houve derrota — somente um ciclo que se fechou, com a humildade de um campeão que soube dizer: missão cumprida.

Primeiros passos: Entre a raquete e os pinheiros

O início da sua carreira aconteceu por um acaso. Com somente seis anos, a mãe levou-o a um treino de badminton de surpresa. Ele gostou demasiado e ficou pela modalidade. O clube local, CHE Lagoense (mais conhecido por CHEL), foi o berço onde se moldou o talento que levaria mais tarde as cores de Portugal a dois Jogos Olímpicos.

Naquela terra de amendoeiras e maresia, Pedro aprendeu que a leveza do volante exigia pés rápidos, mente afiada e uma persistência à prova de vento salgado. Não havia ilusões: tudo seria conquistado com esforço.

De Lagoa para o Mundo

Ainda júnior, destacou-se no panorama europeu e chegou a liderar o ‘ranking’ europeu da categoria em 2008/09. Em 2010, aos 20 anos, já estava entre os melhores do mundo em seniores: 55.º lugar no ‘ranking’ mundial, então um feito inédito para Portugal.

Porém, o caminho não foi feito em linha reta. Lesões, falta de apoio financeiro e a exigência de um circuito internacional intenso tornaram cada ponto conquistado uma vitória. Pedro nunca escondeu essas dificuldades durante a carreira em entrevistas a Órgãos de Comunicação Social.

A travessia olímpica

Pedro Martins representou Portugal nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e Rio de Janeiro, em 2016. Em ambas as edições, foi o único atleta masculino nacional, na modalidade, presente no certame. A participação em Londres foi o culminar de anos de trabalho árduo, mas foi no ciclo até ao Rio que se testou a sua capacidade de superação.

Após uma paragem por lesão, viu-se relegado para os últimos lugares do ‘ranking’. Começou o ciclo de qualificação para os Jogos de 2016 perto do 400.º lugar. Contra todas as probabilidades, terminou no top-100, carimbando o passaporte para o Brasil.

“O mais difícil foi qualificar-me, porque muita gente não acreditava que conseguisse… Agora, tudo o que vier é bónus”, declarou em 2016 ao Observador.

Um Algarve dentro do campo

A trajetória de Martins é espelho da própria paisagem algarvia: resiliente como as falésias da Marinha, silencioso como a Ria Formosa ao amanhecer, vasto como o mar que beija Ferragudo. O Algarve, tantas vezes visto somente como destino de férias, foi também campo de treino, escola de valores e pano de fundo de conquistas improváveis.

As praias são as primeiras competições; os pinhais, as dificuldades do treino; o Atlântico, o mundo competitivo que ele enfrentou. Martins jogava com a leveza da brisa costeira, mas com a firmeza de quem cresceu a enfrentar o sol ardente de julho com humildade e foco.

Um legado feito de títulos e discrição

Ao longo da carreira, Pedro conquistou 49 títulos nacionais. Venceu torneios internacionais em países como Brasil, Marrocos, Guatemala, Uganda e Síria. Fez parte do clube Team Argóvia (Suíça) e, mesmo em silêncio mediático, colocou Portugal no mapa mundial da modalidade.

Fui o primeiro atleta de Lagoa a participar nos Jogos Olímpicos. Isso ninguém me tira!”, declarou com orgulho ao Algarve Vivo em 2020, aquando da sua despedida oficial.

A sua humildade era proporcional ao seu talento. Nunca se deixou iludir pelo mediatismo, nem pelo pódio. Preferia as palavras certas e os gestos discretos. Como quem sabe que o verdadeiro reconhecimento é o que permanece na memória dos que o viram jogar.

A despedida

Em 2020, aos 30 anos, Martins anunciou o fim da carreira. A decisão foi serena, sem dramatismos, como tudo o que fez ao longo da vida:

A pandemia, o desgaste físico e psicológico e a consciência do seu ciclo cumprido levaram-no a deixar o palco. Mas deixou também uma marca indelével: inspirou dezenas de jovens a pegarem na raquete, provou que um algarvio podia competir com asiáticos e europeus de elite, e foi voz ativa na valorização da modalidade em Portugal.

Um legado que o vento não apaga

O algarvio é um símbolo do que se pode alcançar com disciplina, humildade e fé no processo. Não teve centros de alto rendimento, nem grandes patrocinadores. Teve a paixão, o Algarve e uma mãe que o levou, por surpresa e instinto, ao treino certo.

Como o vento que atravessa as serras e chega ao mar, o seu legado ecoa. Mostrou que o badminton português tem futuro, e que o Algarve não é só férias, ou uma ‘colónia’ inglesa, ou de alemães: também é berço de campeões lusitanos.

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