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António Morgado Imparável: O Rei do Crono Não Abranda nos Nacionais
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 26 junho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 1 min · 🌱EMM
Tour de France 2026: acompanha todos os resultados e análises no hub completo da prova.
A Guarda voltou a ser palco de uma demonstração de força de António
Morgado, que revalidou o título nacional de contrarrelógio e somou o terceiro
triunfo consecutivo na categoria de elite. Aos 22 anos, o corredor da UAE
Emirates continua a construir uma carreira que desafia a idade e a lógica,
acumulando títulos com uma naturalidade que impressiona adversários, adeptos e
dirigentes.
O percurso de 27,6 quilómetros, com partida e chegada em Casal de Cinza, tornou-se o cenário perfeito para mais um capítulo da sua hegemonia.
Morgado venceu com 33m15s,
apenas um segundo à frente de Rafael Reis, o especialista português da
Anicolor-Campicarn, e com o companheiro de equipa Ivo Oliveira a
fechar o pódio (a 20 segundos do vencedor). Um desfecho apertado, decidido nos
últimos três quilómetros,no qual Morgado admitiu ter ido “na raça” para virar um
resultado que parecia desfavorável.
E foi o próprio a explicar o
momento decisivo:
“Tinha referências dos tempos do Rafael; sabia que perdia tempo quase todo o crono. Nos últimos três
quilómetros, fui na raça e tentei reverter os sete segundos de atraso
— e consegui.”
Domínio Sustentado!
O contrarrelógio nacional é,
para Morgado, mais do que uma prova: é um território emocional. Na Guarda, o jovem das Caldas da Rainha voltou a impor o ritmo que o distingue no contrarrelógio. E o próprio reconheceu
que este é o único exercício que treina especificamente ao longo da época:
“Este é o único contrarrelógio em que treino, por se tratar do campeonato nacional. São nove anos seguidos a
ganhar o campeonato nacional de crono em diferentes escalões.”
A frase resume a dimensão do
fenómeno. Nove anos consecutivos a vencer — dos juniores às elites — não
acontecem por acaso. São fruto de talento, disciplina e uma capacidade rara de
competir sob pressão. Morgado sabe que constrói algo maior do que um palmarés:
cria uma identidade.
E, mesmo com tanto
conquistado, a ambição continua intacta:
“Ainda me faltam, espero eu,
mais 13 anos de competição e espero ganhar mais algumas vezes.”
Do outro lado do duelo, Rafael
Reis revelou consistência e qualidade. O segundo lugar, por apenas um
segundo, reforça o equilíbrio entre ambos e a exigência do percurso. Reis é, há
vários anos, o contrarrelogista mais completo a competir em Portugal, e a luta
entre os dois tornou-se um dos pontos altos dos Nacionais.
Ivo Oliveira, terceiro
classificado, reconheceu a superioridade dos dois primeiros, mas mostrou
satisfação pelo pódio e pela competitividade interna da equipa:
“Considero que fiz um bom
crono. Sabia que o pódio era alcançável. Fico feliz pelo título ter ficado na
equipa.”
Olhar em Frente
Fora do pódio, Afonso
Eulálio terminou em oitavo lugar, condicionado pela recuperação pós-Giro.
O melhor jovem da edição de 2026 da prova italiana admitiu que não trazia
grandes expectativas:
“Depois do Giro, fiz uma grande recuperação. Vim ao crono para treinar a 100%, sem grandes expectativas.
Dei o meu melhor, e o meu melhor nos contrarrelógios nunca é ótimo.”
Eulálio vira agora atenções
para a prova de fundo, marcada para domingo, onde espera “desfrutar” do apoio
do público português:
“Vou fazer a minha corrida e
dar o meu melhor. Para vir aqui fazer algo especial, tinha de vir com um
calendário diferente.”
Também Morgado antevê uma
corrida extremamente difícil nos 181 quilómetros da prova de fundo:
“Toda a gente vem com a mesma
ideia; não sou só eu. Somos três contra equipas de oito e nove ciclistas, de
muita qualidade.”
Do lado de Ivo Oliveira, o
otimismo é maior:
“O objetivo é ganhar a
camisola nacional. Se puder ganhar mais uma vez, fico feliz. Somos três
bastante fortes e acho que um de nós pode ganhar.”
Os Campeonatos Nacionais
continuam a ser um espelho do ciclismo português: competitivo, imprevisível e
cada vez mais internacional. A vitória de Morgado no contrarrelógio reforça a
sua posição como figura central da nova geração, mas também mostra que o nível
interno está a subir. Rafael Reis continua a ser um adversário de respeito, Ivo
Oliveira mantém consistência e ambição, e Afonso Eulálio representa a ligação
entre o presente e o futuro.
A Guarda recebe, assim, um fim
de semana de ciclismo ao mais alto nível, com a promessa de uma prova de fundo
intensa, tática e emocional. O contrarrelógio já teve o seu rei — e o domingo
dirá se o trono muda ou permanece na mesma família.
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