🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: ATP Tour
⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos
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| O serviço do Lidador fez a diferença na estreia do ano. |
A continuidade do rigor
O início de uma nova temporada no
ténis raramente é um recomeço. Para quem vive do detalhe, do ritmo e da
exigência diária, cada primeiro encontro é também um teste silencioso à
consistência construída ao longo dos meses anteriores.
Nuno Borges entrou em 2026 com essa
consciência e traduziu-a em resultado, ao garantir o apuramento para a segunda
ronda do ATP 250 de Hong Kong, após superar o bósnio Damir Dzumhur em dois
‘sets’, por 6-4 e 6-3.
Atual 47.º do ‘ranking’ mundial, o melhor tenista português da atualidade voltou a escolher Hong Kong como ponto de partida para a época, pelo terceiro ano consecutivo. Não é um gesto casual. Há jogadores que procuram mudança; outros preferem a familiaridade como alicerce.
Assim, Borges integra claramente o segundo grupo. Utiliza o torneio asiático como etapa de afinação competitiva e de reencontro com a exigência do circuito ATP.
O encontro frente a Dzumhur — 66.º do ranking, jogador que já alcançou o top 25 — foi resolvido em 76 minutos.
No entanto, não se explica apenas pelo tempo inscrito na estatística. O português entrou determinado, quebrou o serviço adversário logo no jogo inaugural e assumiu desde cedo o controlo do encontro. Houve resposta do bósnio, que conseguiu devolver a quebra. Ainda assim, o português manteve-se fiel à sua identidade: jogo sólido, leitura clara dos momentos e gestão segura dos pontos importantes.
O primeiro ‘set’ fechou-se em 6-4,
com o maiato a confirmar a vantagem construída com paciência e
eficácia. Mais do que golpes vistosos, destacou-se a capacidade de Borges para
reduzir o erro, esperar pelo momento certo e impedir que o encontro ganhasse
contornos imprevisíveis.
No segundo parcial, Dzumhur ainda
abriu com um jogo ganho, mas a resposta portuguesa foi imediata. Borges
elevou a qualidade do serviço, com velocidades próximas de 200 quilómetros por
hora. Beneficiou ainda dos erros do adversário para vencer quatro jogos
consecutivos.
O 6-3 final confirmou uma vitória
construída com autoridade tranquila, sem sobressaltos, mas também sem excessos.
A maturidade do detalhe
Há vitórias que contam pela margem e outras pelo contexto. Esta insere-se na segunda categoria.
O Lidador não só começou 2026 a vencer, como o fez com a serenidade de quem já conhece o peso das expectativas e sabe conviver com elas.
Em 2024, tinha sido eliminado na
primeira ronda neste mesmo torneio; agora, supera o desafio inaugural e mantém
aberta a possibilidade de alcançar, pela primeira vez, os quartos de final em
Hong Kong.
Nos oitavos de final, o número um
nacional medirá forças com o vencedor do encontro entre dois nomes experientes
do circuito: Marin Cilic, campeão do US Open em 2014, e Adrian Mannarino. Seja
qual for o adversário, o teste exigirá de Borges a mesma alvura competitiva
demonstrada na ronda inicial.
O ATP 250 de Hong Kong funciona como preparação para o Open da Austrália, primeiro Grand Slam da temporada, que arranca a 12 do corrente mês com o qualifying.
O maiato está no quadro principal, que começa no dia 18. Não é um detalhe menor.
A gestão do calendário, do esforço físico e da intensidade emocional faz parte do quotidiano de quem procura estabilidade num circuito longo e exigente.
O percurso recente do maiato ajuda a contextualizar este momento. Em 2025, o maiato viveu uma ótima temporada: venceu pela primeira vez um jogador do top 10 — o norueguês Casper Ruud, então número oito mundial, na segunda ronda de Roland Garros —, chegou à quarta ronda do Open da Austrália e do US Open, e tornou-se o primeiro português a alcançar os oitavos de final dos Masters 1000 de Xangai.
Resultados que não surgem por
acaso e que ajudam a explicar a naturalidade com que hoje ocupa o lugar de
referência do ténis nacional.
Em Hong Kong, não houve euforia nem
dramatismo. Existiu uma leitura madura do encontro e um controlo
constante dos momentos-chave.
Ficou a sensação de que Borges continua a crescer no seu registo. Discreto, eficaz e profundamente profissional.
Num desporto em que cada início de época é também uma prova de
equilíbrio, o português entrou com o pé direito, não só pelo resultado, mas também
pela forma como o construiu.
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