Nuno Borges e as margens de um Grand Slam: “Tenho muita coisa para melhorar”

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

Nuno Borges analisa desempenho no Australian Open.
Lidador limpa o suor da desilusão no Australian Open.

Tenista português confirma crescimento num torneio de exigência máxima

Há torneios que se avaliam pelo resultado e outros que se medem pelo que deixam para depois. Para Nuno Borges, o Open da Austrália pertence claramente ao segundo grupo. Eliminado na terceira ronda do primeiro Grand Slam da temporada, o tenista português saiu de Melbourne Park sem repetir os oitavos de final alcançados em 2024, mas com uma leitura serena e positiva do seu percurso.

“Tenho muita coisa para melhorar”, afirmou no final. Uma declaração que resume não só este torneio, mas também como o maiato encara a sua carreira: com exigência, lucidez e ambição contida.

Um início que podia ter terminado cedo

A caminhada australiana começou longe da tranquilidade. Na primeira ronda, Borges reconheceu que esteve perto da eliminação, num encontro em que as margens foram mínimas e a pressão constante. “Podia ter perfeitamente perdido e ido para casa mais cedo”, admitiu.

Foi um desses jogos em que o ténis deixa de ser apenas técnico e passa a ser mental. Resistir tornou-se o primeiro objetivo e, ao cumpri-lo, o português ganhou tempo no torneio e espaço para crescer.

A vitória que mudou o tom

A primeira ronda trouxe uma mudança clara do cenário. Frente ao canadiano Felix Auger-Aliassime, então número oito do ranking mundial, Nuno Borges assinou uma das vitórias mais marcantes da sua carreira.

Não foi apenas o nome do adversário que deu peso ao triunfo. Mas como o português se apresentou: sólido, disciplinado taticamente e confortável nos momentos decisivos. Foi uma vitória que mudou o tom da sua participação no torneio e confirmou que o seu jogo consegue sustentar-se diante dos melhores.

O triunfo seguinte diante do australiano Thompson reforçou essa ideia e abriu caminho rumo à terceira ronda, num percurso que já não dependia apenas da resistência, mas também de afirmação.

O detalhe que pesa num Grand Slam

Na terceira ronda, o desafio voltou a subir de nível. Do outro lado da rede estava Learner Tien, norte-americano de 20 anos, campeão das ATP NextGen Finals e já 29.º do ranking mundial.

O encontro ficou marcado pelo primeiro set. Borges chegou a liderar por 5-3 e dispôs de dois set points. Não os conseguiu converter. O parcial acabou decidido no tie-break, por 11-9, e esse momento acabou por pesar mais do que qualquer outro.

“Aquele primeiro set pesou”, reconheceu. Num Grand Slam, as oportunidades são escassas e, quando escapam, raramente passam sem deixar marca.

Quando tudo regressa do outro lado

A partir daí, o jogo tornou-se mais exigente. As variações, a solidez de fundo do campo e as tentativas de desorganizar o adversário encontraram sempre resposta. Tien mostrou uma disponibilidade física constante e uma capacidade notável de neutralizar o jogo do português.

“Parecia tudo ser devolvido”, descreveu Borges. A análise foi feita sem dramatismo, com reconhecimento do mérito do adversário e do nível apresentado. “Acho que vai ser um grande jogador, se já não o é”, acrescentou.

A derrota, com os parciais de 7-6 (9), 6-4 e 6-2, fechou a participação do português em Melbourne, mas não apagou os sinais positivos deixados ao longo do torneio.

Um balanço que vai além da ronda

No final, o balanço foi claro: positivo. Não pelo desfecho, mas pelo caminho percorrido. Borges saiu da Austrália consciente de que está a jogar bem, a treinar bem e a evoluir de forma sustentada.

“Continuo a ver isto com bons olhos”, disse. A declaração espelha um jogador confortável com o processo, ainda que o resultado não corresponda às expectativas. Falhar os oitavos de final pelo segundo ano consecutivo não invalida o crescimento nem diminui o alcance das vitórias.

O foco muda, o percurso continua

Sem tempo para longas pausas, o Lidador prepara agora o próximo desafio: a Taça Davis. O número um nacional vai integrar a seleção portuguesa que defronta a China, nos dias 6 e 7 de fevereiro, em Guangzhou.

É mais um palco, outra responsabilidade e uma nova oportunidade para transformar experiência em progresso. O Open da Austrália ficou para trás, mas deixou sinais claros de que Borges está cada vez mais confortável nos grandes palcos. Mesmo quando as margens não jogam a seu favor.

👉 Continue a acompanhar o percurso de Nuno Borges e leia mais histórias que ajudam a compreender o crescimento do ténis português ao mais alto nível.


Comentários

Mensagens populares