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Tiago Torres: Pura magia no caminho da final

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos


Tiago Torres chegou e brilhou.
A pancada da vitória rumo à sua primeira final do Campeonato Nacional Absoluto.

Dia inesperado

Tiago Torres assegurou, hoje, a presença na final do Campeonato Nacional Absoluto/Taça Guilherme Pinto Basto, que decorre, até no domingo, na nave do Complexo do Jamor, ao impor-se a Gastão Elias, por 6-3, 3-6 e 6-2.

A penúltima jornada transformou-se num território de surpresa. Onde se esperava confirmação de hierarquias, surgiu rutura. E onde o favoritismo parecia sólido, apareceram fissuras. O Jamor assistiu a um sábado que mudou o desenho previsível da prova rainha do ténis nacional.

Depois do triunfo inesperado de Francisco Rocha frente a Jaime Faria, também Tiago Torres assinou uma vitória de peso. O lisboeta eliminou Gastão Elias e completou um elenco final que poucos antecipariam no início da semana. O Nacional ganhou outra narrativa.

Bancada cheia

Tiago Torres entrou em campo consciente do desafio. Do outro lado da rede estava Gastão Elias, ex-top 60 mundial, segundo cabeça de série e uma das figuras mais reconhecidas do ténis português das últimas duas décadas. Experiência, currículo e história pesavam para o mesmo lado. Mas o ténis raramente se decide somente no passado.

Perante uma bancada bem composta, Torres apresentou-se sem receio. Solto. Concentrado. Disponível para competir cada ponto como se fosse único. O ambiente ajudou. O silêncio nos momentos-chave também.

O primeiro ‘set’ revelou desde cedo que o encontro não seria linear. Torres foi mais eficaz nos momentos iniciais, serviu com critério e respondeu bem à agressividade de Elias. Sem se precipitar, construiu vantagem e fechou o parcial por 6-3. Não houve celebrações excessivas. Somente a sensação de que o plano resultava.

Do lado oposto, Elias manteve a serenidade. Conhecia bem o terreno onde estava. Já vivera tarde mais densas.

Reação natural

O segundo ‘set’ trouxe a resposta esperada do favorito. Gastão Elias subiu o nível, encurtou trocas e passou a comandar o ritmo desde o fundo do campo. A experiência começou a fazer-se notar, sobretudo na escolha de momentos para acelerar.

O 6-3 a seu favor repôs o equilíbrio no marcador e devolveu ao encontro uma lógica que parecia momentaneamente suspensa. O jogo entrava, assim, no território decisivo. Tudo em aberto.

O set final foi jogado com outra densidade emocional. Cada ponto passou a ter peso. Cada erro ganhou eco. O lisboeta manteve-se fiel à sua postura inicial: compromisso total, mas sem ansiedade.

Elias tentou impor-se com a autoridade de quem conhece os atalhos do jogo. Mas encontrou resistência. Encontrou resposta. Encontrou um adversário disposto a ir até ao fim. Aos poucos, o equilíbrio começou a inclinar-se.

Golpe decisivo

Torres aproveitou uma quebra de serviço e nunca mais largou a dianteira. Jogou com clareza. Serviu bem. Defendeu melhor. O 6-2 no set decisivo confirmou um dos melhores triunfos da sua carreira.

O Jamor respondeu com aplausos longos. Não só pela vitória, mas pela forma como foi construída. Torres venceu por 6-3, 3-6 e 6-2. E fê-lo com autoridade.

Dupla surpresa

Horas antes, Francisco Rocha já tinha causado sensação ao eliminar Jaime Faria, principal cabeça de série, após salvar match points. Com o triunfo de Tiago Torres sobre Gastão Elias, o dia ganhou contornos raros.

Dois favoritos afastados. Dois finalistas inesperados. Uma final que ninguém previa, mas que o campo legitimou. O Campeonato Nacional mostrou, mais uma vez, que não vive apenas de rankings.

Novo cenário

A decisão de singulares masculinos será disputada entre Francisco Rocha e Tiago Torres. Dois percursos distintos. Duas histórias diferentes. Um mesmo ponto de chegada.

Ambos chegam à final embalados por vitórias marcantes. Ambos libertos de pressão excessiva. Ambos conscientes da oportunidade que têm pela frente.

No Jamor, o título terá dono inédito. A final será o último capítulo. Mas o sábado já ficou escrito. E o Jamor não esquecerá tão cedo.


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