🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: ATP Tour
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
| Rafael Jodar dará o salto para o circuito profissional. |
A aposta do madrileno
Há decisões que não se planeiam
durante meses, mas que amadurecem em silêncio e explodem num instante. No
último dia de 2025, Rafael Jodar optou por não esperar mais. A jovem
promessa espanhola, natural de Madrid e atual 169.º do ranking ATP,
decidiu mudar o rumo traçado e lançar-se de corpo inteiro no circuito
profissional, seguindo um caminho semelhante ao já trilhado pelo brasileiro João
Fonseca.
A rota parecia definida.
Tal como o brasileiro João Fonseca, Jodar havia garantido vaga para estudar e competir no circuito universitário norte-americano, integrando a prestigiada Universidade da Virgínia (UVA) e o calendário da NCAA.
Um percurso seguro, estruturado, pensado para crescer com tempo. Mas, à beira do novo ano, o espanhol optou por trocar a estabilidade pelo risco — e a promessa pela prova.
Mudança interior
Aos 19 anos, Jodar
anunciou a decisão por meio de um comunicado pessoal, explicando que o passo
foi dado “após conversas com a família e com os treinadores”. Mais do que uma
rutura, foi apresentado como uma transição natural, quase inevitável, para quem
sente que o tempo de aprender já deu lugar ao tempo de tentar.
“O meu período na universidade teve
um papel enorme no meu crescimento, tanto enquanto jogador como enquanto pessoa. Agora
sinto-me preparado para dar este novo passo e abraçar um novo desafio na minha
vida”, escreveu o
tenista.
O espanhol ingressou no circuito
universitário somente a meio de 2025, experiência curta, mas suficiente para
lhe dar bases competitivas e maturidade fora do campo. No comunicado, Jodar fez
questão de agradecer à equipa técnica da UVA, aos colegas de equipa e a todos
os que o acompanharam nesta fase de preparação silenciosa.
Risco calculado
A decisão tem efeitos imediatos. Sem perder tempo, Jodar viaja ainda hoje para a Austrália, onde dará início à temporada de 2026 já como profissional a tempo inteiro. O plano passa por disputar torneios da categoria Challenger na região e tentar a qualificação para o Australian Open, o primeiro Grand Slam do ano. Uma aposta alta, num palco exigente, mas coerente com a ambição de quem escolhe acelerar.
Em 2025, Rafael Jodar figurou entre os dez melhores tenistas sub-21 do
circuito, sinal claro de um potencial que começa a reclamar espaço. Com as desistências de Jakub Mensik e do próprio João Fonseca, o espanhol ainda teve a oportunidade de disputar as Next Gen ATP Finals, em Jeddah, na Arábia Saudita. Venceu dois encontros na fase de
grupos, ficando à porta das meias-finais, mas somando experiência em um contexto
de elite.
Tal como acontece com muitos talentos
emergentes, a escolha não garante atalhos. O circuito profissional é menos
previsível, mais solitário e implacável com quem hesita. Mas também é aí que se
testam as convicções e se percebe quem está disposto a perder para aprender.
Ao abdicar da universidade, Jodar não
rejeita o que viveu — apenas recusa adiar o futuro. O salto pode ser
arriscado, mas no ténis, como na vida, há momentos em que permanecer seguro é o
maior dos perigos.
E Rafael Jodar decidiu avançar.
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