🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Entrar no Mundo das Modalidades
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
![]() |
| A luta continua! |
O dia 24 de dezembro de 2024
ficou gravado como uma ferida invisível, mas permanente. Na véspera de Natal,
um enfarte agudo do miocárdio interrompeu brutalmente a normalidade e lançou-me
novamente numa luta pela vida. O que deveria ser tempo de família
transformou-se em dias e noites passadas nos Cuidados Intensivos do maior
hospital do Norte de Portugal, entre a dor, o medo e a incerteza.
Seguiram-se meses em que o mundo se
resumiu a um quarto e a um computador. A cama deixou de ser descanso para se
tornar confinamento. Respirar passou a ser um esforço consciente, uma vitória
diária. O corpo não respondia, a mente enfraquecia e a esperança tornava-se
frágil.
Abandonada…
Durante todo esse tempo, houve alguém
que também sofreu — sem cama, sem cuidados médicos contínuos, sem apoio
institucional: a minha mãe, com 89 anos, na época festiva.
Sem ajuda domiciliária, sem
acompanhamento social, sem qualquer rede de apoio. Ninguém apareceu para a
auxiliar. Ninguém perguntou se precisava.
Em vários momentos, foi sozinha ao
hospital. Uma senhora de quase 90 anos, desorientada, perdida em corredores,
serviços e burocracias que não poupam ninguém — muito menos quem já carrega a
idade, o medo e a responsabilidade de cuidar de um filho gravemente doente.
Sozinha, assumiu tudo. Tornou-se as
minhas mãos, os meus olhos, a minha força. Cuidou de mim como se cuida de um
bebé. Com dedicação absoluta, com amor incondicional, mas também com um cansaço
profundo que nunca verbalizou. Enquanto lutava para sobreviver, ela lutava para
que não desistisse. Se hoje estou vivo, grande parte do meu coração bate por
causa dela.
Houve sofrimento intenso. Existiram
lágrimas silenciosas e dores engolidas. Mas, mesmo na fragilidade extrema,
houve pequenos momentos de ligação à vida. Vários deles ficaram gravados com
especial intensidade: deitado na cama, em casa, a escrever no meu “Blogger”
sobre desportos de raquetes. Instantes simples, mas poderosos. Doente, muito
doente, mas ainda ligado ao país, ao mundo, à esperança.
As cicatrizes
Hoje, continuo aqui. Com cicatrizes
físicas e emocionais, mas vivo. Vivi um primeiro episódio quase fatal em julho
de 2020, enfrentei meses de luta e, em julho do corrente ano, mais um
procedimento cirúrgico. A recuperação continua. A batalha também.
Esta é uma história de sobrevivência,
mas também de denúncia. Denúncia de um sistema que deixa idosos entregues a si
próprios, de uma sociedade que fala em solidariedade, mas falha quando ela é
mais necessária.
A luta agora é outra: a procura de
trabalho. Para voluntariado há sempre portas abertas; para emprego, quase
nenhuma, só promessas. Ainda assim, continuo de pé.
Caí. Sofri. Quase perdi tudo.
Mas lutei. Venci mais uma batalha. E
isso ninguém me retira.
Feliz Natal a Todos! E Leiam o Entrar no Mundo das Modalidades!

Comentários
Enviar um comentário
Críticas construtivas e envio de notícias.