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João Teixeira: O capitão que renova sonhos à mesa na terra da regueifa

🖋️ Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: NCR de Valongo
João Teixeira renova com o Valongo.

No desporto, há atletas que passam. E há atletas que permanecem. Que se entrelaçam com a história de um clube, que se tornam os pilares da sua identidade. João Teixeira, de 19 anos, é um desses nomes.
Capitão do NCR Valongo, símbolo de perseverança e talento, João renovou o seu vínculo por mais uma temporada. Mas esta renovação é mais do que um contrato — é uma aliança com o futuro, selada por 11 anos de lealdade e paixão.

Terceiro lugar entre seniores: um pódio de maturidade

Num desporto onde os detalhes decidem vitórias, João subiu ao pódio nacional de pares seniores, ao lado do talentoso Pedro Brandão, num Campeonato disputado em Gaia, em 2025. Um bronze que vale ouro, pois foi conquistado num palco onde brilham os que têm nervos de aço e coração em brasa.

Naquele tapete azul onde a bola ecoa como um compasso, João e Pedro mostraram sintonia, garra e companheirismo. Um verdadeiro bailado de ‘spin’ e bloqueios, cruzando a juventude de um com a maturidade do outro. O pódio foi o espelho de um trabalho silencioso que se foi cozinhando nas margens do Douro.

Renovar é recomeçar — mas com raízes

Na hora de anunciar a renovação, João fê-lo com palavras que não foram ditas por impulso, mas por emoção.

"Renovar este vínculo é mais do que assinar um contrato, é renovar um sonho, uma história construída com suor, dedicação e muito amor por este clube..."

Não são palavras gastas. São palavras com peso. O NCR Valongo não é apenas um clube. É uma casa com paredes de memórias e janelas viradas para o futuro. E João, mais do que um atleta, é já uma das vigas que sustenta essa estrutura.

Onze anos com a camisola ao peito

Uma vida à mesa

Em tempos em que o imediatismo governa, ficar 11 anos num mesmo clube é um ato de rara fidelidade. E João nunca quis ser um turista no desporto. Ele quis ser residente. Quis pertencer.

"Posso afirmar sem medo de que cada minuto valeu a pena", sublinhou.
E nós acreditamos. Porque só assim se chega a capitão. Só assim se inspira os que vêm atrás. Com entrega. Com presença e também com verdade.

Um líder dentro e fora da mesa

A braçadeira de capitão não se mede em pontos ganhos. Mede-se nos gestos fora da área de jogo. No apoio aos colegas. Na voz que se levanta nos treinos duros. No abraço dado nas derrotas. João é esse líder.

Pedro Brandão, seu parceiro de pódio, é testemunha disso. Entre os dois há cumplicidade, respeito e admiração. No olhar, um sabe sempre onde o outro vai estar. E no ténis de mesa, onde tudo acontece em milésimos de segundo, isso é meio caminho andado para o sucesso.

A forja da Primeira Nacional

Com a renovação, João prepara-se agora para um novo desafio: a fortíssima Primeira Divisão Nacional. Um campeonato onde se joga no limite, onde cada encontro é uma final, onde os erros se pagam caro — mas onde também se cresce mais rápido.

É o lugar onde os sonhos se tornam nervo e onde os atletas ganham couraça. João sabe que será difícil. Mas sabe também que é lá que pertence. E terá ao seu lado uma equipa jovem, faminta e unida, que vê no seu capitão um exemplo a seguir.

Um treinador experiente ao leme

Nada disto seria possível sem a visão e estabilidade do treinador que acompanha João desde sempre. Um homem que não grita para mandar, mas para acordar. Que sabe ouvir o silêncio do atleta e que conhece os medos de quem compete.

Com mais um jogador experiente ao seu dispor — um que conhece os cantos da casa como ninguém —, o treinador Pedro Silva terá nas mãos uma equipa equilibrada, capaz de crescer sustentadamente e fazer frente aos gigantes da divisão.

Um clube que cultiva, não queima

O NCR Valongo é um desses raros clubes que não apressa o talento. Cultiva-o. Que não usa atletas como ferramentas de resultados, mas como pessoas em formação. E João é o retrato mais puro dessa filosofia.

Chegou jovem. Cresceu com calma. Foi lançado no tempo certo. Errou, aprendeu e regressou. E hoje, com 11 anos de casa, é a voz que os mais novos ouvem quando duvidam de si próprios. O que mais pode desejar um clube?

O sonho continua

Para João, este não é um fim de ciclo. É um novo capítulo.

"Seguiremos mais fortes e unidos, porque a nossa história ainda tem muitos capítulos para se escrever", proferiu com convicção.

E é essa a beleza do desporto quando é verdadeiro. Quando é feito de continuidade, de raízes, de afeto. João não joga por estatísticas. Joga por identidade. Por amor a uma camisola. Por gratidão a um clube que lhe deu tudo. E ele retribui com tudo o que tem.

Esta renovação é um gesto simples, mas cheio de significado. Diz-nos que ainda há espaço para o compromisso. Que ainda há atletas que não trocam o essencial pelo imediato. Que ainda há clubes que formam — e não apenas recrutam.

E é por isso que a história de João Teixeira merece ser lida. Porque nos lembra que o desporto não é só ganhar. É crescer. É ficar, é deixar legado. 

Gostou desta história? Leia também André Cruz, o primeiro reforço da equipa de Valongo para a temporada 2025/2026.

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