Diamantino Pinto, grande mestre da raquete do ténis de mesa lusitano
🖋️ Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Direitos Reservados⏱️ Tempo de leitura: 5 minutos
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| A força de Ermesinde, um dos nomes mais sonantes da modalidade. |
Quer saber como um jovem de Ermesinde se tornou uma lenda viva do ténis de mesa português? Acompanhe esta inspiradora trajetória até à última linha.
Um nome eterno no ténis de mesa português
Há nomes que não se apagam com o
tempo. Chamam-se — e continuam a chamar-se — Diamantino Pinto.
Ermesinde, estação de partidas e chegadas, foi o ponto de partida de um destino
singular. Natural daquela terra de linhas férreas e sonhos cruzados, nascido em
1962, este homem atravessou décadas com uma raquete na mão e um sonho no
coração. Desde cedo, trocou o som dos comboios pelo ritmo da bola de ténis de
mesa.
Aos 63 anos, continua a marcar
presença ativa nas mesas portuguesas como atleta
veterano do Guilhabreu, clube vilacondense, mas é
muito mais do que isso: é história viva, mentor e um dos mais
respeitados embaixadores da modalidade.
E ainda hoje sonha mais alto. Quer ser dirigente da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, para devolver ao desporto
tudo o que ele lhe deu e transformar sonhos em projetos concretos.
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CPN e as raízes de um campeão
O Clube de Propaganda da
Natação (CPN), em Ermesinde, foi onde tudo começou. Foi ali, entre os
apitos das locomotivas e o pulsar da cidade operária, que Tino, para os amigos,
forjou a sua disciplina — e onde uma raquete encontrou a sua mão certa. Tinha nove
anos quando pegou pela primeira vez numa raquete, sob a orientação do
lendário Álvaro Mendes. O talento, a dedicação e o espírito
competitivo tornaram-se visíveis logo nos primeiros anos. Ao lado de colegas
como Vítor Pina e Elmano Monteiro, elevou o nome do CPN, da
cidade e do concelho de Valongo ao panorama nacional.
Diamantino conquistou títulos de singulares e de pares nos escalões jovens, além de várias Taças de Portugal pelo seu clube de coração, o CPN. A sua técnica refinada e a serenidade em jogo valeram-lhe a
chamada às seleções nacionais, onde representou Portugal desde júnior
até sénior.
O primeiro português em Espanha
Em tempos em que cruzar a fronteira
era feito somente por atletas de elite, ele rumou à cidade espanhola de Vigo,
onde representou o emblemático clube Mercantil, um dos históricos da Galiza —
uma cidade onde, como as ondas do Atlântico que nunca param, o talento de
Diamantino ganhou força e impulso para novas conquistas
Vigo, porto de desafios e
oportunidades, recebeu Diamantino como quem acolhe um velejador experiente que
navega mares desconhecidos, traçando rotas que abriram caminho para muitos que
viriam depois.
Esse passo ousado abriu novas possibilidades para jogadores portugueses e consagrou Diamantino como pioneiro do ténis de mesa profissional em Espanha. Foi, sem dúvida, uma página marcante da sua carreira e da história
da modalidade em Portugal
O regresso ao FC Porto e a pausa inesperada
Mas o que levou Diamantino a voltar ao ténis de mesa após tanto tempo afastado? Descubra a força que o trouxe de volta às mesas.
Depois da aventura espanhola, Diamantino regressou
a casa. Representou o FC Porto, como jogador e treinador, levando a sua
experiência internacional para o interior das mesas azuis dos dragões. Mais
tarde, regressou ao CPN para fechar o ciclo iniciado na juventude.
Contudo, uma pausa de 14 anos afastou-o das competições. A vida familiar, as responsabilidades profissionais e a dedicação aos filhos passaram a ocupar o espaço que antes era do ténis de mesa. Mas o ténis de mesa não se esquece de quem o viveu com paixão — e Diamantino
também não o esqueceu.
O renascimento: veterano, formador e campeão
O regresso surgiu, aos 45
anos, por intermédio do Inatel, ao serviço das Tintas CIN. A
motivação era pura: voltar às mesas, competir e inspirar. Nos anos seguintes,
jogou pelo Guilhabreu, onde se tornou uma lenda no escalão de veteranos:
foi cinco vezes campeão nacional, somente travado por lesões no sexto
título.
Mas não foi só com os próprios pontos
que continuou a brilhar. Nos últimos anos, dedicou-se à formação, com
especial enfoque no Centro de Alto Rendimento de Gaia, um
projeto conjunto entre a Associação de Ténis de Mesa do Porto e
a Câmara Municipal de Gaia. Treinava jovens, entre os 5 e os 13 anos, formando novos talentos. Alguns foram chamados à Seleção Nacional, e Diamantino foi convidado pela Federação Portuguesa de Ténis de Mesa (FPTM) para orientar a Seleção Sub-13 numa prova internacional.
Compromisso com o futuro: da raquete à liderança
Para a figura do ténis de mesa
português, a mesa não é o único espaço onde se joga o futuro da modalidade. Em
2024, deu um segundo passo que há muito vinha a amadurecer: integrou
a Lista C candidata às eleições da FPTM, como vice-presidente,
ao lado de Mário Teixeira, cabeça de lista.
Embora derrotada nas urnas, a candidatura destacou-se por um projeto sério. O foco passou pela formação, pela descentralização do apoio aos clubes e pela valorização do escalão de veteranos. O compromisso
mantém-se: ajudar a transformar a estrutura federativa com conhecimento de
dentro e com visão de quem conhece o ténis de mesa em todas as suas
frentes.
Entre o passado que honra e o futuro que sonha
Mais do que um nome ou uma
história, ele é uma inspiração viva. De Ermesinde a Vigo, do CPN ao
Guilhabreu, dos palcos nacionais às arenas internacionais, o seu percurso prova
que o ténis de mesa é mais do que um desporto — é um modo de vida.
E aos 63 anos, o mestre da raquete
não pensa em parar. Continua a ensinar, a jogar, a partilhar e a sonhar. Após encerrar a carreira competitiva, manteve o envolvimento com o ténis de mesa através do treino e da formação de novos talentos.
E o leitor/a, qual foi a sua inspiração ao conhecer a história do mestre da raquete? Partilhe a sua opinião nos comentários e continue a acompanhar para mais histórias de paixão e dedicação no ténis de mesa.
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