Avançar para o conteúdo principal

Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

João Almeida sai muito mal tratado da queda, mas recusa desistir: "Espero estar na partida"

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 6 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM A vitória final escapou-lhe. Mas a vontade de continuar mantém-se intacta. João Almeida foi um dos ciclistas mais afetados pela queda coletiva que obrigou à neutralização da 4.ª etapa da Volta à Polónia e terminou o dia profundamente marcado pelas consequências do acidente. O português da UAE Emirates cruzou a meta com mais de 16 minutos de atraso , ficando praticamente afastado da discussão pela classificação geral, mas a maior preocupação deixou de ser o cronómetro. Era preciso perceber em que estado físico havia saído da queda. Com várias escoriações visíveis no lado esquerdo do corpo, o português não escondeu que as dores são intensas, embora acredite que o pior poderá ter sido evitado. “Não me sinto bem. Tenho dores no joelho e no tornozelo, mas suponho que vou ficar bem. Provavelmente consegui evitar fraturas.” Apesar do impacto do acidente, o corredor português mostrou-se determina...

Quando o silêncio cai na rede: Porto Open em voz baixa no Monte Aventino

                               Por António Vieira Pacheco

A checa sentiu a falta de aplausos np Porto Open.
Créditos: FPT. Muito poucos entusiastas assistir à vitória da checa no Monte Aventino.

O eco no Monte Aventino

Ao início da tarde, num silêncio quase litúrgico, terminou no Monte Aventino o maior torneio internacional feminino de ténis do Norte de Portugal. Tereza Valentova, jovem checa de 18 anos, levou o título do WTA 125 Eupago Porto Open. Levou também, quem sabe, a convicção de que será figura no circuito profissional. Mas não levou aplausos retumbantes, nem uma multidão em êxtase. Levou um troféu e um eco.

O Porto e o ténis: uma relação distante?

O Porto é uma cidade com paixão por desportos que deem luta, suor e multidão. Futebol, claro. Andebol, até, ou mesmo hóquei em patins. O ténis, por outro lado, parece um jantar de gala em bairro popular de Campanhã: ninguém proíbe, mas também ninguém vai. E quando vai, é por engano ou convite. O Eupago Porto Open, torneio com estatuto internacional, viu passar lendas e boas promessas. Mas viu, acima de tudo, o desaparecimento do público.

Da glória de Arantxa ao vazio das cadeiras

Foi há vinte anos que a espanhola Arantxa Sánchez venceu neste mesmo torneio. Na altura, a média de espetadores por dia era mil. Hoje, nem chega a cinquenta. Há vinte anos havia faixas, gente com binóculos, crianças a solicitar autógrafos. Hoje, há lugares vazios e silêncio que ecoa. O court central do Monte Aventino mais parece um palco abandonado depois da peça.

Monte Aventino: uma sala de visitas por estrear

Descentralizaram. Levaram o torneio para o Monte Aventino, num gesto que se quer inclusivo. Mas à sala nova falta-lhe movimento. Não há quem bata à porta. Nos tempos em que o torneio se realizava no Lawn Tennis Club da Foz ou no Clube de Ténis do Porto, havia rotinas. Havia aqueles sócios que não perdiam um jogo, aqueles curiosos que adoravam ver de perto a elegância do ténis. E havia também a magia de espreitar um clube privado por dentro, como quem entra num jardim fechado por engano e resolve ficar.

Na entrega de prémios, não se constatou um único representante da Câmara Municipal do Porto. Da Federação Portuguesa de Ténis veio o vice-presidente Paulo Cutileiro, num fim de semana em que, por sorte ou conveniência, estava por perto. A ausência do poder político local foi, ironicamente, a presença mais notada.

De quem é a culpa?

Será do local? Do ‘marketing’? Do desinteresse generalizado? A resposta talvez esteja na conjugação de todos. Mas há algo mais: a falta de continuidade, de comunicação emocional, de envolvimento com escolas, com clubes, com bairros. O ténis, nesta edição, pareceu um convidado educado numa festa onde todos estavam de passagem. E isso, no Porto, é quase um pecado.

O talento não chegou para encher bancadas

Tereza Valentova mostrou um jogo maduro, inteligente, com variações dignas de top 50. Mas talento, neste caso, não basta. Não basta jogar bem para que se encha um recinto. É preciso narrativa, envolvimento, antecipação. É preciso que as pessoas saibam que algo está a acontecer. Porque, no Porto, há vida de sobra. Há cultura, há fome de eventos. Só não houve convite real.

O Porto do ténis não é o Porto dos cartazes, dos postais, nem das agendas culturais. É um Porto subterrâneo, discreto, feito de entusiasmos isolados e clubes fechados. Mas está lá. Existe. E podia ser um Porto visível, partilhado, se alguém se lembrasse de acender a luz. E de abrir a porta.

O jogo continua, mas não se ouvem os aplausos

Termina mais uma edição do torneio, com promessas no court e silêncio nas bancadas. A cidade que observou Arantxa erguer um troféu parece ter virado o rosto. Mas talvez não para sempre. Talvez falte pouco. Um plano, um gesto, uma chamada. O Porto não precisa de muito para se apaixonar. Mas precisa de um motivo. Ou, pelo menos, de um convite.

E há-se chegar o dia em que o Monte Aventino não será apenas um eco. Será grito. Aplauso. Cadeira cheia. Porto inteiro.

🚀 Está à procura de um freelancer?

Seja para ‘design’, blogues, logos ou vídeos, o Fiverr tem profissionais prontos para ajudar.

Explorar Fiverr →

Comentários

Mensagens populares