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Júlia Leal: “A chave foi o espírito de equipa” – Juncal Conquista a Supertaça 2025

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Juncal

⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos

As vencedoras da Supertaça com o troféu na mão!
Gabriela Féher segura o troféu e faz a festa com as suas colegas de equipa.

O Juncal voltou a escrever o seu nome na história do ténis de mesa nacional ao conquistar a Supertaça “José Manuel Amaro”, disputada no Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, frente ao CTM Mirandela.

O triunfo por 3-0 não só reforça a presença açoriana na elite da modalidade, como também inscreve pela segunda vez o Juncal no quadro de honra desta competição, depois da conquista de 2016.

Cerca de 400 espetadores marcaram presença, criando um ambiente eletrizante, onde cada ponto era disputado com intensidade. A vitória do Juncal demonstrou mais uma vez que, no ténis de mesa, o espírito coletivo e a determinação podem superar qualquer tradição ou favoritismo.

Um começo equilibrado e tensão máxima

Apesar do resultado, o encontro não começou fácil para as açorianas. O CTM Mirandela, detentor de 22 Supertaças, apresentou resistência e talento, e por momentos a partida poderia ter mudado de rumo. Júlia Leal, uma das atletas do Juncal, destacou a tensão constante do encontro:

“Todos os encontros podiam ter caído para cada lado. A Tatiana, por exemplo, esteve a perder por 2-0 contra a Inês Matos. Pensei que seria complicado virar a partida, mas ela conseguiu operar uma excelente reviravolta. Isso deu força enorme à equipa e mostrou que estamos prontas para lutar até ao fim.”

Tatiana Garnova foi, sem dúvida, o ponto alto da primeira partida, conseguindo inverter a situação e fechar o parcial decisivo, mostrando que a equipa açoriana tinha nervo competitivo suficiente para enfrentar qualquer adversário de peso.

Gabriela Fehér: detalhe e precisão
 Definem a segunda partida

O segundo singular colocou Gabriela Fehér frente à jogadora Lin Fen, num jogo equilibrado, mas onde a magiar soube controlar os momentos críticos.

“A Gabriela jogou muito bem. Foi uma partida muito disputada com a Lin Fen, que tem muita qualidade. O resultado acabou em 3-1, mas podia ter caído para ambos os lados. Ainda bem que caiu para o Juncal, porque nos deu tranquilidade e confiança para o resto da final.”

Esta vitória colocou o Juncal em vantagem por 2-0, deixando clara a superioridade estratégica e mental das açorianas. Cada parcial, como o 11-5, 7-11, 11-9 e 11-5, refletiu a intensidade e o equilíbrio da partida.

Júlia Leal fecha com autoridade e garante a Supertaça

O terceiro e último encontro colocou Júlia Leal frente a Mariana Santa Comba. Para a atleta açoriana, a concentração e consistência foram decisivas:

“Joguei bem, mantive o meu nível durante toda a partida e consegui vencer. Sabia que não podia relaxar, porque o Mirandela nunca desiste. Felizmente consegui fechar a vitória e garantir o título.”

Com o triunfo por 3-1 (parciais: 11-1, 10-12, 11-8, 11-7), Júlia selou a conquista da Supertaça, coroando uma exibição coletiva que destacou a força mental e a coesão do Juncal.

O valor desta conquista vai muito além do troféu. Para os Açores, e em particular para a ilha Terceira, esta vitória representa um marco significativo:

  • É a segunda vez na história que o Juncal conquista a Supertaça, depois do feito de 2016.
  • Demonstra a capacidade das equipas açorianas em competir e vencer frente aos clubes do continente, tradicionalmente dominantes no cenário nacional.
  • Inspira jovens atletas locais a acreditarem que o ténis de mesa pode ser uma via de sucesso e visibilidade internacional, reforçando o investimento em formação e clubes.

O Juncal provou que não é necessária simplesmente tradição ou histórico; espírito de equipa, preparação técnica e resistência mental são elementos decisivos na vitória.

Espírito de equipa e confiança para a temporada

Um dos elementos centrais da vitória, sublinhado pelas jogadoras, foi o espírito coletivo. Júlia Leal resumiu:

“No cômputo geral, a equipa esteve muito bem. Cada uma de nós teve o seu momento de dificuldade, mas conseguimos responder. Eu pessoalmente senti que joguei sólida, consistente, e cumpri o que era esperado de mim. Mas acima de tudo foi uma vitória da equipa. A chave foi o espírito coletivo e acreditar na vitória.”

Este enfoque no coletivo reflete a filosofia do Juncal: cada ponto é uma batalha individual, mas a vitória só se constrói com união e estratégia.

Além disso, a confiança adquirida com esta vitória será determinante para o resto da temporada:

“Este triunfo dá-nos mais confiança para o restante da temporada. Sabemos que o campeonato é longo, que o Mirandela vai continuar forte e que há outras equipas a querer disputar os lugares cimeiros. Contudo, esta vitória mostrou-nos que temos argumentos para lutar pelos nossos objetivos.”

Um triunfo que desafia a tradição

O CTM Mirandela, com 22 Supertaças no currículo, continua a ser referência nacional. Porém, a vitória do Juncal mostra que a tradição não é invencível, e que novos projetos com atletas motivadas e coesas podem quebrar monopólios históricos.

As jogadoras do Juncal demonstraram que dedicação, foco e espírito de equipa são suficientes para desafiar qualquer favoritismo. Cada parcial da final foi disputado como uma pequena batalha, e cada vitória consolidou a confiança para enfrentar futuras competições.

O futuro do ténis de mesa açoriano

A vitória do Juncal na Supertaça tem repercussões para todo o ténis de mesa açoriano:

  • Estimula investimento em formação juvenil, garantindo que mais jovens tenham acesso a treino de qualidade.
  • Cria modelos de referência para outras equipas da região, mostrando que é possível competir e vencer frente aos colossais continentais.
  • Reforça o orgulho local, trazendo atenção e visibilidade para a modalidade nos Açores.

Para clubes, atletas e adeptos, este título não é somente uma taça: é uma mensagem de motivação e persistência, lembrando que o trabalho coletivo e a paixão pelo jogo superam qualquer expectativa.

Partidas e parciais

Juncal, 3 - CTM de Mirandela, 0

  • Tatiana Garnova 3 – Inês Matos 2 (8/11, 7/11, 11/8, 11/4, 11/7)
  • Gabriela Feher 3 – Lin Fen 1 (11/5, 7/11, 11/9, 11/5)
  • Júlia Leal 3 – Mariana Santa Comba 3-1 (11/1, 10/12, 11/8, 11/7)

Cada parcial demonstra a intensidade e a imprevisibilidade da final. Pequenas diferenças nos pontos definiram o rumo do jogo, tornando a vitória do Juncal ainda mais significativa.

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