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Matilde Jorge: em direção aos Grand Slams em 2026

                                                            Por António Vieira Pacheco
Créditos: FPT. Matilde Jorge sonha com os Grand Slams para o ano.

Finda a participação individual no Oeiras CETO Open ITF W100, Matilde Jorge saiu com algo que ainda não tinha: a primeira vitória no quadro principal deste torneio. Mas mais do que esse triunfo simbólico, a tenista vimaranense leva consigo boas sensações, bem mais positivas do que as vividas na semana anterior no Jamor.

A temporada de terra batida segue agora o seu curso, com a jovem a apontar baterias para a consistência e para a construção de um ‘ranking’ que a leve a novos palcos.

Wimbledon? Um bónus, não uma obsessão

Se para muitos o horizonte se pinta a verde no All England Club, Matilde mantém os pés bem assentes no pó-de-tijolo.

“Como é óbvio, quero muito ir a Wimbledon, mas focar-me nisso não me ajuda de todo.”

Com pontos importantes a defender entre setembro e o final do ano — onde somou o primeiro título ITF e duas finais —, a jovem de 21 anos prefere a estabilidade ao desespero por estreias em Grand Slams.

“O meu objetivo é ter um ano consistente para começar a jogar os Grand Slams para o ano. Se jogar Wimbledon, perfeito, mas não há problema se não jogar este ano.”

A consistência acima do desejo

Nem Roland Garros era, à partida, uma meta traçada para o corrente ano.

“Claro que quero muito jogar Roland Garros ou Wimbledon, simplesmente não quero muito ganhar só para atingir isso.”

A ideia é simples e forte: a ambição é ser melhor, e não somente estar nos grandes palcos. Quando o trabalho for sólido e os resultados constantes, os maiores torneios aparecerão como consequência natural.

O topo nacional poderá estar ao virar da esquina — e pela primeira vez desde 2018, não será Francisca Jorge a ocupá-lo. A diferença entre irmãs nunca foi tão pequena, mas Matilde recusa comparações fáceis:

“Não competimos uma com a outra. Cada uma faz o seu caminho.Se for número um sem estar nos Grand Slams também não me motiva. Quero é chegar aos Grand Slams e ser a minha melhor versão.”

O que ficou do CETO

A derrota frente à belga Greet Minnen, top 100 mundial, foi um teste duro. Apenas pela quinta vez enfrentou uma jogadora deste calibre. Saiu com lições, e com consciência:

“Senti muita negatividade, muito desconforto. Mas houve melhorias face ao Jamor, sobretudo na movimentação em terra batida.”

Na variante de pares, o objetivo é claro: voltar a conquistar o título no CETO, tal como em 2024. Além disso, há também a ambição — ainda que menos central — de entrar no top 100 mundial de pares, onde já mora a irmã mais velha.


 

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