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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Tatiana Garnova deixou a mesa, mas não o ténis de mesa

      🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 25 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM   Uma grave lesão no ombro pôs fim à carreira de jogadora profissional. No Boa Hora, Tatiana Garnova prepara agora uma nova etapa na modalidade. Há momentos em que uma carreira termina sem que essa seja verdadeiramente uma escolha. Foi o que aconteceu com Tatiana Garnova. Uma lesão grave no ombro levou a antiga jogadora de ténis de mesa e campeã nacional individual de seniores a deixar a competição e a encerrar a carreira enquanto atleta. «Eu deixei de jogar… era uma lesão grave no ombro», revelou Tatiana Garnova ao EMM. A antiga internacional não quis, contudo, detalhar outros motivos associados à decisão. «E tem mais coisas, mas eu não quero falar sobre isso», afirmou. É uma posição que merece respeito. Tatiana identifica a lesão no ombro como o principal motivo para ter deixado de jogar e prefere manter reservados os restantes aspetos da decisão. A ligação ao ...

Shao Jieni de Anshan à elite do ténis de mesa

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis de Mesa

⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos

Jieni a muralha chinesa ao serviço de Portugal.
 Shao Jieni, a guerreira que leva o nome de Portugal aos grandes palcos.

 A fénix de Anshan que renasceu em Portugal

No coração silencioso de Anshan, sob o céu vasto e sereno da China, nasceu Shao Jieni, a 24 de janeiro de 1994. Como uma pétala desprendida do ramo ao sabor do vento, a jovem encontrou no ténis de mesa o seu destino — um chamado precoce que ecoava com a doçura serena de uma paixão inevitável.

Na sua terra natal, onde o desporto é cultivado com rigor e reverência, Jieni cresceu entre salas de treino e murmúrios de raquetes. A China, berço da excelência nesta modalidade, foi o seu primeiro palco. Ali, entre milhões, ergueu-se como uma promessa rara, talhada em disciplina e  em fome de superação.

A sua estreia como atleta profissional aconteceu em Pequim, cidade de contrastes e tradições, onde se moldam campeões com o aço da exigência.

✈️ A travessia do mundo

Com somente 16 anos, Jieni deixou para trás as muralhas do Oriente para cruzar continentes rumo ao desconhecido — Portugal. Na bagagem, trazia mais do que equipamentos e sonhos: transportava uma coragem silenciosa, própria de quem ousa reinventar-se longe de casa.

A adaptação não foi apenas linguística. Foi emocional. Cultural. Tática. Era preciso reaprender a ler os rostos, a entender os ritmos de treino, a reconhecer os silêncios e os aplausos.

Instalou-se em Gondomar, cidade tranquila do norte de Portugal, que a acolheu com o calor típico da alma lusitana. A comunidade abraçou-a. E ela, com gratidão e garra, começou a escrever uma nova história — não apenas como jogadora, mas como símbolo vivo de resiliência.


O estilo de uma canhota singular

Jieni não é somente diferente por onde nasceu. É esquerdina — e isso, no ténis de mesa, é uma raridade com peso. Menos de 10% da população partilha esta condição, e no desporto, essa minoria transforma-se em vantagem.

A sua mão esquerda dita ritmos inesperados, curvas imprevisíveis, velocidades que confundem. A cada serviço, imprime um ‘spin’ que desafia a lógica, obrigando as adversárias a dançar no compasso que ela escolhe.

Com uma pega clássica, equilibra controlo e ataque, mesclando suavidade e agressividade calculada. Em cada ponto, uma declaração silenciosa: aqui joga-se com arte e estratégia.

Do desconhecido ao palco internacional

Aos poucos, o nome Jieni deixou de ser apenas murmurado entre colegas. Tornou-se reconhecido. Temido. Admirado.

A sua ascensão foi feita degrau a degrau, sem pressa, mas sem pausas. Portugal passou a vê-la como uma das suas maiores referências na modalidade. No mundo, ganhou o respeito de adversárias e o carinho dos fãs.

Conquistas gravadas em ouro e bronze

Jogos Europeus (Cracóvia 2023): ajudou Portugal a conquistar o bronze por equipas, sendo peça-chave nos encontros mais duros.

Campeonatos da Europa:

🥈 Prata (Nantes 2019) 

🥉 Bronze (Cluj 2021 e Malmo 2023)

Na Europa Top-16 (Montreux 2023): brilhou nos singulares, arrecadando o bronze, entre as melhores do continente.

Jogos do Mediterrâneo (Orã 2022):

🥈 Prata individual

🥉 Bronze por equipas

Cada medalha que pendura ao peito carrega mais do que pontos ou ‘rankings’: representa as madrugadas no treino, os voos solitários, a saudade de casa, o orgulho de uma nova bandeira.

Jogos Olímpicos: Onde os sonhos têm fôlego maior

Jieni representou Portugal em três edições dos Jogos Olímpicos:

                                                             Rio de Janeiro 2016

                                                             Tóquio 2020

                                                             Paris 2024

Em Paris, a sua participação foi exclusivamente na prova individual de singulares. A caminhada começou com uma vitória frente à luxemburguesa Sarah de Nutte, por 4-2. No embate seguinte, enfrentou a austríaca Sofia Polcanova, número 23 do mundo. Apesar de vencer o primeiro ‘set’ e salvar match points no sexto, cedeu por 4-2, terminando entre as 17 melhores do mundo.

Mas ali, no epicentro da glória olímpica, não foi a derrota que marcou o seu nome, mas sim como jogou — com bravura, serenidade e dignidade.

Mais do que uma atleta
 Um símbolo de transformação

Ser atleta de elite não é apenas vencer — é resistir. Jieni resistiu às diferenças, aos muros invisíveis da cultura, ao frio da distância. Tornou-se cidadã portuguesa em 2015, e desde então veste as cores da nação com amor e entrega.

Hoje, representa o Etival Clairefontaine, clube francês onde o desporto é vivido com paixão e exigência. Ali, como em todos os palcos, continua a deixar a sua marca.

O futuro ainda por escrever

As páginas da sua história continuam longe do fim. Como um fénix, continua a renascer, mais forte a cada etapa. Inspira jovens atletas, quebra barreiras invisíveis e mostra, com o seu exemplo, que é possível cruzar o mundo e, ainda assim, encontrar um lugar chamado casa.

A sua jornada é um poema feito de suor e luz, no qual cada linha ecoa a verdade de quem nunca deixou de acreditar. Jieni não é apenas uma campeã — é uma metáfora viva da superação. 

Atualizado a 24 de julho de 2025.

 

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